quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Aí eu vi essa pergunta do face, entrei em pânico em posição fetal por me achar uma fracassada com 30 anos, mas depois vi que estava tudo bem.

           Nesse momento só queria estar assim que nem ela!

"Janis onde você trabalha agora?" Essa pergunta do Facebook me persegue todo dia. Eu abro minha página da rede social  e o Face dá um jeitinho de colocar ali bem no cantinho, onde não capte sua atenção de imediato, mas que não saia do seu campo de visão. Eita perguntinha chata! Que pressão tradicional é essa que eu tenho que dizer onde trabalho? Tenho que ter um trabalho formal pra poder completar meu cadastro? Eu tenho que completar meu cadastro? Quem disse? E o pior é que mesmo sendo historiadora a rede social adora perguntar se eu trabalho no Hospital Estadual Albert Schweitzer ou em qualquer hospital Brasil afora.
Essa pergunta tão capiciosa me atormentou durante bom tempo. Como uma acadêmica, é muito comum ouvir um "quando você vai começar a trabalhar?" ou "você ganha dinheiro mas não assina carteira". Hoje em dia eu digo que trabalho na minha área acadêmica, que o mestrado e doutorado são trabalhos, meus orientadores são meus chefes, etc etc. Cansei de ouvir muita besteira de quem não faz a menor ideia do que fala e não acrescenta nada, absolutamente nada na minha vida. A opinião de meus pais e do Jones são os que levo comigo. São essas três únicas pessoas que importam afinal. "Mas vá lá Janis, que pensamento libertador, você é tão descolada" (ou seja lá o que digam hoje em dia). Gente, não sou tão inteligente e progressista quanto o grupo de cinema que integro no whatsapp pensa. Sou apenas fruto de inúmeras reflexões, ressacas e conflitos internos que enfrento nos últimos meses. Eu descobri que a perguntinha acima é só uma perguntinha e agora ela não tem poder nenhum. Ter um empregador, um "emprego" de carteira assinada, uma "carreira" ou o que for não vai me fazer uma pessoa melhor, com dinheiro, iluminada ou guru da felicidade. Ser feliz é amar as pessoas ao seu redor, viver bem consigo mesmo, fazer o bem, e poder andar na rua sem ser incomodado. Ter filosofia de vida que não agrida ninguém. Pra mim isso é ser feliz. Receber salário de fim do mês é bom ... pra comprar roupa, sorvete, viagem e roupinhas fofinhas e bizarras pra colocar nas gatinhas de casa. Ter dinheiro pelo que percebi te traz mais problema que resolução. Primeiro: VOCÊ TEM QUE FAZER O IMPOSTO DE RENDA. Tem coisa mais absurda que isso. Segundo: Levanta a cobiça das pessoas. Se você faz uma reforminha necessária na tua casa, caramba ... guarda o material e o pedreiro que a vizinhança vai bisbilhotar. Terceiro: se tu compra algo que precisa e inevitavelmente chega em casa com uma sacola diferente que a do supermercado, já te olham com uma cara que "tu tá cheio de grana". Quarto: ai tu resolve fazer uma viagem super desejada e alguém muito próximo vai estragar tudo dizendo o quanto desnecessário é esse teu capricho que o correto é ficar em casa e guardar para alguma ocasião (que pela lógica dele nunca virá). E por aí. Você fica escravo de um horário muitas vezes incompatível com seu horário biológico, se desdobrando para tornar o labor numa coisa mecânica e descobre que a vida de adulto é uma grande versão debochada da escola ou de um episódio de Grey Anatomy, só que agora você paga conta.
Não assinam minha carteira desde 2012 quando entrei em contrato para professor substituto. Estou, digamos, que fora do ambiente formal há muito tempo e espero até que retorne um dia para ter um renda segura para planejar minhas viagens com segurança. Quero ter um carrinho, mas só pra levar o Jones pra lá e pra cá e fazer uma reforma em casa porque está tendo goteiras na casa de baixo. E só. Escolhi uma profissão em que não tenho que ficar presa numa mesa e cadeira olhando a vida passar, sem dinâmica alguma além do jogo de paciência e no web whatsapp clandestino no pc da empresa. Nunca foi minha preocupação de vida ter uma carreira. Aí me mandam várias mensagens com concursos públicos e vagas com salários de 9 mil a 14 mil reais e pouquinho. Paro olho o edital e digo não. Não quero ficar presa em escritório por mais de 40 horas (porque no final será isso), levando trabalho pra casa e me estressando com problemas aqui e ali. Ou ainda entrar num ambiente hostil, mais selvagem e cruel que a "lei natureza". Não. Prefiro ficar aqui, nas salas de aula, com todos os problemas que possuí. Na penumbra, fazendo meu trabalho e tentando fazer a diferença daqui mesmo. Quero entrar em casa, ver a Elsa e falar "princesa da disney de araque que que tu fez o dia inteiro? Cadê o resto que não veio me ver?". Olhar pra cara do Jones e dizer um eu te amo, como forma de exorcizar os problemas. Fazer minhas aulas dos dias seguintes. Deitar e ver séries até dormir.
Quero acordar no fim de semana, dizer que quero sair e parar em Paquetá, assim sem mais nem menos, só porque deu vontade. Quero acordar, ver meus sobrinhos  correndo atrás das gatas, dar um esporro neles e depois dar um sorvete. Não quero me mudar para um lugar mais chique porque condiz com meu status social, não quero vestir roupas de grife, não quero comprar carro do ano, não quero viajar para lugares luxuosos e colocar na rede social por status, não quero ter filhos porque mais conveniente no momento, não quero ter um gato ou cachorro de raça, não quero ler Dostoiévski porque sou hipster, hippie, indie, nerd, geek,  etc etc. Quero só fazer a função que eu escolhi por amá-la, ver sorrisos e solucionar conflitos, pegar meu ônibus tranquila, dormir até quando não querer mais, viajar sem destino durante um mês inteiro e fazer amor com a pessoa que me aceitou do jeito que sou. Quero coisas simples. Se eu for "grande" (como meu pai diz) em algum setor profissional será pelo ocaso, não é minha finalidade. Se você tem esse desejo legal meu amigo! Ótimo pra você! Vá, busque seu sonho, só não pise em ninguém no meio do caminho! Espero que seja imensamente feliz! Mas se quando chegar, você um dia perceber que está infeliz e que você queria era mesmo o surf do final de semana e o parquezinho com as crianças, sinto muito, mas você foi vítima do "você tem que ter um emprego pra ser alguém, uma pessoa e um cidadão de respeito" que a sociedade impõe. Seja essa pessoa de respeito com que te faz feliz (sem matar ninguém tá?!)
E Facebook, eu não tenho uma resposta pra você? E não me importo. E sabe de uma coisa, se um dia tiver um crachá de não sei da onde. Pode deixar que eu não dizer de onde é. Me pergunte outra coisa como o que eu faço pra ser feliz, é melhor não acha?

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

La Bayadére (o templo da dança):

No ano de 2001, a escola de dança onde eu estudava realizou um festival interno e cansadas de dançar cupidos, auroras, quitérias e outras, a maioria das bailarinas decidiram interpretar Nikia (claro que a mulher que vos fala não fez parte dessa turma).

La Bayadére é um dos ballets que mais gosto, tanto pelo cenário exótico, a Índia, quanto pelo final triste.
História (retirado do wikipédia)


O ballet narra a história de Nikia, uma dançarina do templo e de Solor, um jovem guerreiro. Os jovens apaixonados planejam fugir juntos e juram fidelidade diante do fogo sagrado. No entanto Solor esquece de seu juramento quando o Rajá, satisfeito com o presente que recebeu de Solor ( vitória na guerra) lhe ofecere a mão de sua filha Gamzatti em casamento.

Ao saber do casamento, Nikia vai ao encontro de a Gamzatti e revela o seu amor por Solor e implorando que o deixe para ela. Gamzatti tenta comprar Nikia com jóias e presentes. Nikia recusa e num ato de desespero ameaça Gamzatti com um punhal, chocada com seu próprio gesto foge apavorada.
Na celebração do noivado de Solor e Gamzatti, o Rajá ordena que Nikia dance com as demais bailadeiras. Durante a dança ela recebe uma cesta de flores na qual havia um serpente venenosa escondida. Nikia é mordida e agoniza. O Sacerdote Brâmane se prontifica a salvá-la caso ela aceite pertence-lhe. Após ver Solor com Gamzatti, a jovem recusa, e morre.

Após a morte da sua amanda Solor encontra-se tomado de pesar e remorso. Magdaveya, querendo distraí-lo daquelas sombrias disposições, lhe oferece ópio para fumar. Solor adormece e sonha que, em companhia de Nikia, a seus olhos apresentam-se os espectros da bailadeiras. Solor é levado a se casar com Gamzatti, quebrando seu juramento a Nikia. A profecia da Bailadeira realiza-se, acontece uma terrível trovoada e o templo cai em ruínas. Dos escombros aparece Nikia, que vem buscar Solor para viverem seu amor na eternidade. (Retirado do site Wikipédia)


Comentários dos bailarinos e integrantes do Houston Ballet sobre La Bayadére (em inglês):










quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mudança e conflitos

Resolvemos de fato mudar de casa. Algo que já é muito caótico com o passar do tempo e ressonar da notícia se tornou mais caótica ainda. A casa de destino em questão é a casa de infância do Jones que está, digamos assim, em situação deplorável. Meu pai e eu fomos vê-la, e ele com muita diplomacia disse: "a casa é boa, mas precisa de uma boa reforma". E cadê dinheiro para isso? Bem, a situação é que com reforma ou sem reforma nos mudamos. A notícia gerou uma série de protestos de minha família, que depois de muito alarde se comprometeu a ajudar. O problema meus amigos foi os meus digníssimos senhorios. Por alguns desencontros e problemas não entramos em acordo. Portanto obra em casa com pendenga na outra. A coisa boa é que ganhamos duas gatinhas, Kizzy e Bell,  que fazem uma bagunça e são alegria pura. Pasmem,  elas não têm medo de fogos de artifício.
Enfim,  o importante desta postagem é uma reflexão sobre minha primeira noite sozinha desde que me casei. Devido aos meus probleminhas, Jones tem evitado me deixar sozinha. Quando isso acontece ele me deixa aos cuidados de amigos. Hoje é minha primeira noite de fato sozinha. Com Bell e Kizzy, mas sozinha. Minha televisão não pega,  todos meus amigos não respondem no whatsapp e meu pc quebrou. Estou mais ilhada que o Robinson Crusoé. Isto está servindo para uma onda reflexiva e de interiorização sem precendentes. Como fica minha vida no doutorado? Não fica. Fiz absolutamente tudo errado e agora tenho que arcar com as consequências de meus atos.  É hora de arranjar um bom emprego. E minha vida psíquica? Como fica? Por ironia do destino, após mais uma frustração e crise, recomecei a pesquisa e estou lendo meus livros de duas formas, como leitora de auto-ajuda e como historiadora da ciência e da medicina. O que posso dizer é mesmos com mais de 100 anos de publicação, os livros de Austregésilo, de certa forma,  são bem atuais. Eles ainda servem ao seu propósito de higienizar a mente da elite brasileira de então.  Combater o que para ele era psiconeurose e para mim depressão.  Feita as devidas ressalvas e respeitados os anacronismos, estaria eu no consultório de Austregésilo no início do século XX sendo tratada por meio das palavras e com aumento de energia da vontade?  Porque eu definitivamente estou tentando a auto-sugestão. Há tempos ando a procura de um psicólogo ou psicanalista com quem sinta bons resultados. Porém não tive sucesso. Os estou substituindo por "Educação da Alma" e "A Cura dos Nervosos". Péssima atitude para uma historiadora, mas cansei de lutar contra meus instintos. Tentei de todas as formas ler imparcialmente os textos a ponto de parar a pesquisa por quase dois anos. Decidi priorizar-me. O fato é que o doutorado deve ser abandonado. Mas Austregésilo tem me feito um bem que remédio algum fazia.
Outra reflexão da noite é a total inércia de atitudes e preguiça fisica e intelectual que cercou minha vida nesses últimos quatro anos. Me tornei no ser mais apático do universo, o que me leva à infância, pois era exatamente assim quando criança.  Depressão é um negócio engraçado. Você vira uma outra pessoa e ao mesmo tempo retorna a condição de criança.  Hoje fui na casa de minha mãe e a vi nervosa costurando mais de 50 fantasias de dança.  Minha irmã ajudava. Quando tinha 14 anos minha mãe passou por algo parecido, mas por conta de um "ataque de nervos", não conseguiu entregar.  Hoje foi completamente diferente. Minha mãe mudou. Fiquei pensando no quanto mudei também e entendi uma das construções psiquicas de Freud. O ser humano se reestrutura a todo momento. Não há um retorno à um estado de saúde,  pois o antes não era saudável e o agora não é doentio. Há um desequilíbrio causado por um motivo e cabe ao indivíduo se recompor num novo ser para contemplar o desequilíbrio e alcançar um novo equilíbrio. Isso trouxe uma nova perspectiva para mim. Não acredito em cura de estados mentais. Nunca acreditei que  vou ficar curada da depressão.  Tenho há tanto tempo que nem sei quem eu sou sem ela. Me agarrei de tal forma que sem ela parace haver o inexistente. Jones diz que esse pensamento é mais um sintoma. Mas pensando no esquema freudiano percebi que mesmo sendo depressiva eu vivia em equilíbrio com ela. Equilibrio que foi perdido. É necessário me redefinir para compor um novo eu no qual essa depressão também se encaixe. Como fazer isso é a grande questão. Tenho pensado estar no caminho certo. Para depois dar três passos para trás.  Mas o processo de retorno ao equilíbrio deve ser assim mesmo. Estou pensando em retornar as atividade s físicas e persistir na dança.  Vamos ver. O meu principal problema de hoje é dormir enquanto a Bell cutuca minha barriga e a Kizzy brinca no meu cabelo.  Boa noite.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

30 anos

No dia 13 de setembro de 2015 fiz 30 anos de idade. Não teve festa, comemoração e passei sete horas dentro de um ônibus enjoada até a morte com o cheiro do banheiro. Jones disse que entrei na melhor fase da minha vida. Não tenho tanta certeza. Ter 30 anos não parece ser tão especial quanto qualquer idade que tive ou terei. O que posso dizer é que contrariando meus pensamentos cheguei aos 30 anos. Tenho depressão e sempre me imaginei morrendo antes dos 25. Sabe, com a depressão você não fica muito positiva sobre seu futuro, presente ou passado. Sua vontade some aos poucos. Vontade de sorrir, de comer, de sair, de levantar, de viver. Remédios para controlar os pensamentos e muita psicóloga. Mas enfim, cheguei aos 30 e estou um pouco feliz. Não com a idade, pois isso é o que menos importa. Mas em como as coisas estão. Estou desempregada, quase abandonando o doutorado e fazendo deste blog meu diário pessoal. Mas finalmente consigo me abrir. E finalmente tenho alguém que não me preenche, mas me transborda. Tive que aprender a gostar de mim para depois gostar de alguém. Aprender a não deixar alguém pisar em você só porque você o "ama" ou pensar que ele é o melhor que terá. Tive muitos relacionamentos abusivos na minha vida sem nem perceber que estive num relacionamento desses. Hoje percebo as roubadas nas quais estive e ao invés de me lamentar, ou dizer "cara como fui burra", levanto a cabeça e digo que aprendi muito com eles. Aprendi o que não quero. Nem tudo são flores, mas acreditar quando o rapaz diz que você é menos inteligente que ele quando você tem mais artigos publicados, não é normal. Uma pessoa que diz que te ama não deve te depreciar, mas sim te enaltecer. O tal transbordamento que falei acima. Não é colocar no pedestal da Igreja, mas te impulsionar a sempre melhorar. Jones tem um lema: "você consegue amor". Está sempre dizendo "você é fantástica" e não reclama das minhas roupas, cortes de cabelo, do meu batom vermelho ou da falta dele. Tenho muita sorte em tê-lo na minha vida. E sei que isso causa inveja também. Principalmente de pessoas que não entendem esse tipo de relacionamento, de amantes-amigos. Só conhecem o amantes-dependentes. Uma pena. Desejo o melhor a todos eles. Uma queixa que fiz recentemente no meu extinto Facebook foi o preconceito que muitas pessoas tinham ao Jones. Ele possui deficiência por ter um doença degenerativa, distrofia muscular de Becker, no qual o portador vai perdendo os movimentos dos membros e força dos músculos. Hoje ele anda de bengala, futuramente de cadeira de rodas. Quando o apresentei a minha família, percebi comentários de que seria enfermeira. Sim, cuidarei da pessoa que amo. Assim, como ele cuida de mim, pois no meio das crises é ele que fica abraçado comigo, fazendo cafuné enquanto sinto a maior tristeza que alguém pode sentir. O amo do jeito que é, com bengala, com cadeira de rodas, com rebolado, com voz fina, com barbicha de bode, sorriso fácil e barriguinha de seis meses de gravidez. Vou cuidar dele, vou sair com ele, vou viver com ele. Entendo que este não deve ser o sonho de um relacionamento normal que pais têm para os filhos. Mas foi o que escolhi. Jones não é um inválido. Ama a vida e sabe aproveitá-la muito bem. De nossa viagem-presente à Paraty, quando implorei que saíssemos do Centro Histórico porque estava com medo que ele caísse e se machucasse, ele me disse "Janis, deixa eu passear e andar porque um dia eu não poderei mais, tenho que aproveitar". Isso não é pensamento derrotista. Tenho certeza de que até de cadeira de rodas ele iria passear por lá. Ele lava, passa, cozinha e só não limpa a casa porque essa é minha tarefa. Trabalha em três lugares diferentes e sobre vários ônibus por dia. É mais ativo que eu. Aprendo muito com ele. Mas estou com 30 anos, numa encruzilhada. Posso ir para qualquer caminho. Tenho uma pessoa que amo muito e me faz refletir sobre o verdadeiro valor da vida. Descobri que meu hobby é viajar. Muito mais que dançar, ouvir música ou desenhar. Que sou artista. Tiro fotos maravilhosas com a câmera de 5 megapixels do meu celular porque não tenho condições de comprar uma câmera melhor. Penso no futuro, com um otimismo que não pensei ser possível por muito tempo. Isso é maravilhoso e assusta um pouco. As crises virão, sempre virão. Mas tem luz no fim do túnel. Tenho 30 anos e quero ter mais 30 pela frente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Da maravilha de se ter amigos

Uma das coisas que mais amo em ter me casado com o Jones são os amigos dele. Pela primeira vez os raios cósmicos e as forças do universo se confluíram em um movimento perfeito de entrosamento. Adoro os amigos dele, eles me adoram (acredito eu) e os meus amigos gostam dos amigos dele. Coisa deliciosa. Isso tornou possível uma viagem que o "nosso" amigo Sérgio agendou e coordenou para Paraty, no Rio de Janeiro. Como carioca e historiadora, pasmem, nunca tinha ido à essa cidadezinha encrustada na Mata Atlântica por um lado e cercada pelo mar do outro. Sempre achei que devia ser uma cidade caríssima visto as tabelas tarifárias da maior parte dos hotéis e pousada que vi na internet. Uma dica de pesquisa é esse site: http://www.paraty.com.br/hoteis.asp (Eles fazem uma divisão por preço ou localidade). Como fomos de ônibus escolhemos uma pousada entre a rodoviária e o centro histórico na Avenida Roberto Silveira (http://www.paraty.com.br/brisadaserra/). A localização foi fundamental já que o Jones não pode andar muito. Ah! E também se forem de ônibus saibam que a viagem demora no mínimo cinco horas. Dramin na veia. Esqueci o meu e me ferrei na volta. Voltando ao post. Paraty é uma cidade charmosa e deliciosa. Não vou ficar me alongando aqui sobre a história da cidade, pois você pode pesquisar em diversos sites por aí. O que devemos saber é que Paraty teve seu momento áureo na época do ouro quando o caminho real terminava por lá e servia como porto de escoamento dos metais preciosos de Minas Gerais. Da abertura do caminho novo que modificou a rota para o Rio de Janeiro, Paraty viveu quase esquecida quando em fins do século XX foi redescoberta como rota turística. O seu centro histórico é todo tombado e foi por lá que ficamos. Fazia muito frio (15°C) e chovia muito. Mas mesmo assim nossa estadia foi maravilhosa. A população flutuante da cidade é enorme e vários são os idiomas e sotaques que você ouve ali e aqui. Prepare-se que o preço lá acompanha a inflação. Pão com mortadela comprado do supermercado pode ser a grande pedida da noite se você for um viajante pobre como eu. Acordar cedo, só se for passeio de escuna. Se não, apareça por lá só pelas 10h da manhã. As lojas do Centro Histórico só abrem mesmo à tarde e à noite. E tênis, muito tênis nos seus pés. Nada de salto ou sandalhinha. As pedras do Centro Histórico são um desafio à parte para todos os turistas. Eu caminhando com dificuldade, tentando não escorregar e carregar o Jones junto, vi estarrecida dois entregadores de bicicleta zanzando pelas ruas históricas com a mesma destreza que eu caminho no asfalto. Pensei que eles deviam aprender a andar de bicicleta ali antes mesmo de aprenderem a andar. Jones fez malabarismos com a sua bengala, mas não caiu uma só vez. Orgulho do meu menino! Conversando com a dona da Pousada ficamos sabendo que numa obra para o cabeamento subterrâneo de energia, as pedras do centro histórico não foram colocadas corretamente dificultando mais ainda o que já era dificultoso. Seria interessante colocar rampas de madeira nas laterais das ruas, facilitando o acesso às pessoas com dificuldade de locomoção. Visitar as igrejas históricas de Paraty foi um capítulo à parte. Duas estavam fechadas. A matriz conseguimos entrar e nos deparamos com um cachorro "rezando" aos pés da imagem de um santo. A outra (a de Santa Rita) sofremos bullying. O segurança nos fez dar a volta inteira no quarteirão para que o Jones pudesse chegar na Igreja e ter o prazer de dizer na porta que estava fechada para almoço. Raiva mil. Comemos no que achamos ser o restaurante mais barato do lugar com um "PF" de R$ 18,00 que infelizmente não comi pois o meu peixe era só espinha.Os demais adoraram seus pratos. Sorte a minha né?! E depois saboreamos um cafezinho no Café Divino. Sensacional! Café coado na sua frente, na sua mesa, com a proprietária que adora conversar tornando tudo muito mais aconchegante. Volto lá com certeza. Gostaria de agradecer ao Sergio por essa surpresa maravilhosa e por nos ter apresentado ao Ricardo, outra pessoa que dá gosto de conhecer. Ps.: Fiz 30 anos no domingo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nova vida, novo amor, novos problemas e quase balsaquiana

Depois de muito pensar, repensar e lembrar dos apelos de meus ex-alunos decidi retomar o blog. Muita coisa aconteceu, muita coisa mesmo. Principalmente depois de ontem com meu ataque de fúria com meus bebelos. que terminou numa choradeira só, meu cabelos cortados aleatoriamente e medo de olhar no espelho. Mas vamos por parte. Número um: Me mudei. Sim saí de casa para uma simpática casinha de quarto e sala, numa vilazinha no bairro do Riachuelo. Depois de dois meses, Jones veio morar comigo. Ou seja, me apaixonei perdidamente pelo simpático carinha "nordestino" que faz faculdade de química. Número dois: Estou prestes a me mudar de novo para Duque de Caxias fugindo do aluguel. Número três: Zoé me abandonou e me trocou pela minha mãe. Snif snif. Número quatro: Pela primeira vez cortei os cabelos bem curtinho (num salão), mas cresceram. Número cinco: Me irritei e cortei na faca (vejam como está difícil de aceitar pois falo isso pela segunda vez). Número seis: Entrei como professora contratada no colégio Pedro II e encontrei os adolescentes mais bacanas que conheci. Número sete: Saí do Pedro II. Número oito: Entrei no doutorado. Sim, muitas coisas aconteceram. E creio que terei de fazer vários posts para comentar sobre elas. Mas hoje vamos nos deter no primeiro quesito. Morar sozinho. Veja, eu nunca morei sozinha. Mamãe sempre esteve ali limpando as coisas e Irmã comprava o pão. Mesmo agora eu não moro sozinha! Jones se instalou na minha casa, uma semana depois que recebi alguns móveis. O que posso dizer é que casar não é fácil. Você pode estar com a pessoa mais fantástica do mundo, mas você vai odiar a quantidade de sabão que ele usa pra lavar a roupa, o jeito que dobra a roupa, e os horários inconvenientes que usa o banheiro. Jones é o cara mais legal do mundo (e já estamos um bom tempo juntos). Muito calmo e prestativo. Lava, cozinha e passa. É meu empregado doméstico. A vizinha vive dizendo que ganhei na loteria. Mas o que aprendemos quando casamos? Que o pior inimigo somos nós mesmos. Não adianta a pessoa ser perfeita e se tu é um mala do convívio. Eu descobri o pior em mim. Descobri que ao contrário do que minha mãe pensa eu sou maníaca por arrumação, principalmente quando a bagunça é do outro. Descobri que sou viciada em desinfetantes. Limpo em meio a devaneios químicos. Descobri que adoro brigar por mínimos detalhes. Em só comentar sobre os deslizes caseiros do outro. E quando Jones faz alguma maravilha digo "não fez mais que a obrigação". Depois de muito refletir tenho tentado frear esse meu lado dark. Logo eu pessoa tão pacífica e flexível ... Acredito que Jones seja masoquista. Já falei que Jones faz bolos? Conquistou Papai pela barriga. Feito e tanto! E como sempre minha fama de má cozinheira aumentou. Mamãe não acredita que sobrevivo com almoços. Na verdade, percebi que ela só ficou mais relaxada quando descobriu que Jones cozinha aqui em casa. São bolos, carnes assadas, feijões, frango com batatas, peixes, saladas que estou pensando seriamente em levá-lo ao MasterChef Brasil. Jones só tem um problema sério. Ele adoro quebrar meus copos. Veja, eu comprei um monte de copos grossos na cor do arco-íris (dica: R$25,99 na Leader Magazine aqui do Rio de janeiro). Os copos são grossos feitos para não quebrarem com facilidade. Quebrou todos. Eu nem vi. Ele fica na surdina esperando que nunca perceba. Mas voltando ao quesito morar sozinho de aluguel, você descobre que existe dois personagens muito importantes na vida de jovem independente: o proprietário e a vizinha idosa. O primeiro, você irá detestar com todas as forças. Ele é o cara que pega metade do seu salário todo início do mês e demora séculos para consertar qualquer coisa que quebre na residência. Cara de bicheiro e 171 toda vida. O segundo personagem é do tipo ame-o ou deixe-o. Ou você o incorpora a sua filosofia de vida, ou meu amigo, se mude. Note: tenho três vizinhas idosas e todas sabem tudo o que acontece entre a crosta terrestre e a estratosfera da minha vida antes de mim. Outra coisa fantástica é quando seus novos parentes, os do seu marido no caso, aparecem para visitar. Notem: minha família é muito reservada, falam baixo e só conversam entre eles. A família do Jones não, você os escuta chegando na esquina da rua. Dão palpites inconvenientes, falam alto, soltam risadas e comentários preconceituosos com a sutileza de um peido de rinoceronte numa lagoa calma da savana africana. Todo mundo ouve. A confusão foi tanta quando vieram aqui da última vez que uma das minhas vizinhas idosas pediu arrego e foi dar uma passeada. Me sinto naquele filme "Casamento Grego", a família dele super sem graça e a dela explodindo de felicidade. Detalhe: nossas famílias não se conhecem ainda. Quando acontecer conto em primeira mão com pseudônimos e a frase "baseado em fatos reais". Segurem a pipoca. Agora chega. Jones acabou de descobrir um aplicativo de celular que só toca músicas do anos 80 e não sabe dar play. Já falei que odeio o celular do Jones? PS.: Daqui há dez dias faço 30 anos. Esperando para ver qual o presente que o Jones vai me dar. Se ele errar estou pensando em pegar a peixeira da minha mãe. Ela vai ficar orgulhosa de mim.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

150 anos de Ernesto Nazareth*

Hoje se perguntarmos a uma pessoa o que é o tango brasileiro, muito provavelmente a pessoa dirá "não sei". Ou então pergunte quem era Ernesto Nazareth. Poucas pessoas saberão de quem falamos. Numa época em que pagodes, sambas e outras músicas populares invadem as lojas e nossos iphones, deveríamos saber que houve outra época, em que mesclar o erudito com o popular foi inovador. Um feito para grandes mestres da música brasileira, o mais reconhecido deles, Ernesto Nazareth.
Ernesto Nazareth aos 45 anos, 1908. Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images

Há 150 anos nasceu Ernesto Nazareth. Esse homem que foi, no fim de sua vida, paciente da Colônia Juliano Moreira, é visto como um dos grandes mestres da música popular brasileira. Lugar de destaque que divide com Chiquinha Gonzaga. Nasceu em uma casa na encosta do Morro do Pinto na região do Porto do Rio de Janeiro. Seu pai era um despachante aduaneiro e sua mãe, que morreu quando Ernesto ainda era criança, a responsável por lhe instruir os primeiros ensinamentos musicais. Aos 14 anos compôs sua primeira música, a polca-lundu “Você bem sabe”, uma resposta ao pai, para afirmar sua vocação musical. Ernesto Nazareth compôs mais de 200 obras, a mais famosa “Odeon”, e a maior parte delas tangos brasileiros, que faziam parte dos Chorões, uma união de ritmos que animava as festas (forrobodós) cariocas. Ligado às músicas eruditas, Nazareth trazia em suas composições elementos populares e africanos. Passou a vida, gravando músicas, se apresentando nas casas de música, como pianista demonstrador e no salão de espera do Cinema Odeon. Foi reconhecido internacionalmente, o que não lhe privou de uma vida modesta, apesar de suas músicas terem dado lucro para seus editores. Foi casado e pais de quatro filhos. Foi compositor, instrumentista, pianista e professor de música. 

Anúncios de discos da gravadora Odeon, 1930, incluindo o 78-RPM gravado pelo próprio Nazareth contendo as peças Apanhei-te, cavaquinho e Escovado. Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images

No decorrer de sua vida perdeu a audição e foi diagnosticado com sífilis, sendo internado na Colônia Juliano Moreira em 1933. Na Colônia, tocava piano na casa do administrador. Em 1934, depois da visita da sua filha, Ernesto Nazareth fugiu da instituição. Seu corpo foi achado três dias depois, na cachoeira da Colônia, em estado de decomposição. Era um domingo triste de carnaval. O Rio de Janeiro havia perdido um grande compositor para a morte e a loucura. 

Reportagem anunciando a morte de Ernesto Nazareth, Correio da Manhã, terça-feira, 6 de fevereiro de 1934. Fonte: http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

*Reportagem publicada no Jornal Abaixo-Assinado Jacarepaguá de julho de 2013.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vaslav Nijinsky (1890-1950)




Fotografia assinada por Vaslav Nijinsky em Le Spectre de la Rose, fotografia de Bert, 1912, V&A Theatre & Performance Collections, Valentine Gross Archive.

Vaslav Nijinsky, um dos maiores bailarinos do século XX, já era bem conhecido em São Petersburgo, quando Diaghilev contratou-o para dançar com Ballets Russes em 1909.
Nijinsky não era uma figura cativante no primeiro encontro: ele era baixo, atarracado e fora do palco,era um pouco tímido e quieto. Na frente de um público, no entanto, ele tinha grande presença e expressividade. Sua técnica clássica era excelente - especialmente sua elevação e ballon - enquanto suas caracterizações  dos personagens  era igualmente notável. Seu gosto por papéis incomuns deu à sua reputação aspectos quase místicos. Logo, sua fama era tão grande como a de Taglioni , principalmente depois das performances nos ballets de Fokine “Les Sylphides” e “Spectre de la Rose”( neste, seu salto através de uma janela se tornou um dos mais famosos na história ballet). Ele dançou com a maioria das bailarinas famosas de sua época, incluindo Pavlova, mas suas performances mais famosas foram criadas em parceria com Karsavina. Ele também dançou com Isadora Duncan em Paris – uma experiência que teve um efeito definitivo sobre sua dança e coreografia.
Diaghilev o incentivou a tentar criar suas coreografias; ele achou o trabalho, lento e doloroso, e seus resultados foram, para dizer o mínimo, incomum. Suas danças foram baseadas em movimentos do ballet clássico, mas continham elementos da dança moderna e ritmos quebrados, ele também gostava de colocar de vez em quando qualidade tridimensional em suas produções. Em geral, suas coreografias foram recebidas com choque e controvérsia em Paris e com séria consideração, em Londres. Em” L'Après-midi d'un Faune” (1912) deixou o público surpreso (pelos pés descalços dos bailarinos e do contraste entre a marcação opulenta de Debussy e a coreografia de Nijinsky, causando um estranho constraste), e escandalizados com a cena final, a sugestiva cena  da masturbação. No ano seguinte, seu contemporâneo balé “Jeux” foi eclipsado por “Le Sacre du Printemps”. O público de Paris reagiu veemente a marcação moderna de Stravinsky e a coreografia estranha de Nijinsky , ele teve de ficar em pé na coxia fazendo a contagem do ritmo e passos, porque os bailarinos não podiam ouvir a música. Infelizmente, quase toda a coreografia se perdeu.
Mais tarde im 1913 a maior parte da Companhia do Ballets Russes  partiu para América do Sul, sem Diaghilev, que tinha um medo supersticioso de morrer na água. Durante a viagem Nijinsky apaixonou-se por Romda de Pulszky, uma jovem dançarina húngara. Os dois se casaram em Buenos Aires, em setembro. Quando a companhia voltou para a Europa, Diaghilev - em um ataque de ciúmes - atirou nos dois.
Após a Primeira Guerra Mundial (durante o qual ele foi internado), Nijinsky assinou novamente com o Ballets Russes uma série de turnês americanas em 1916 e 1917. Mas a essa altura ele já estava mostrando sinais de doença mental, com cada vez  mais e mais medo de outros dançarinos, preocupado com quedas através de alçapões e às vezes recusando-se a dançar. Sua última performance para Diaghilev foi em 1917, mas viveu em Londres por mais de 30 anos, cuidado por sua sempre dedicada esposa e ainda adorado por  muitos fãs.
(Adaptado de Judith Steeh. Hystory of Ballet and Modern Dance.)


A Sagração da Primavera - Nijinsky (1913)

Em tempo: a tradução teve a ajuda de Irmã.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Carlotta Grisi


Esses dias tenho me lembrado da época em que dançava, e me vieram as lembranças das aulas de teoria. Elas eram realizadas em um cômodo apertadíssimo onde só entravam seis pessoas. Em homenagem à essa época, e também satisfazendo o desejo de uma amiga, decidi realizar uma série de postagens sobre personalidades do mundo do ballet. A primeira é sobre Carlotta Grisi, uma das primeiras grandes bailarinas e eterna Giselle.

Carlota Grisi

(1818-1899)


Litografia de artista anônimo. Bailarina Carlota Grisi interpretando Giselle. Paris, 1841.

Os pais de Carlotta Grisi não eram músicos, embora quase todos os membros de sua família tenham cantado na ópera. Ela também tinha uma excelente voz, mas a dança foi seu verdadeiro amor a partir do momento  em que entrou para a academia do Scala, quando tinha sete anos de idade.
Até os seus  10 anos ela interpretava seus próprios papéis, e em 1833, quando tinha 14 anos, seus pais lhe deram permissão para realizar uma turnê pela Itália. Foi em Nápoles que ela conheceu Jules Perrot, que atraído não apenas por seu talento, mas também por  sua personalidade, quieta e gentil, a conduziu ao estrelato. Perrot começou como seu professor - tão implacável e exigente como Taglione - mas ele logo se tornou seu amante também. (O casamento deles nunca foi realizado, embora ela tenha aparecido em algumas ocasiões como Madame Perrot).
Perrot garantiu-lhe espetáculos em Londres, Viena, Munique, Milão, e finalmente, no Théâtre de la Renaissance, em Paris, onde Grisi dançou e cantou em “Le Zingaro” de 1840. Um ano mais tarde, em fevereiro de  1841, ela fez sua estréia na ópera, e alguns meses depois que apareceu em sua produção mais famosa “Giselle”.
Ela e Perrot foram se afastando com o tempo e, quando suas contribuições em Giselle não foram sequer reconhecidas, ele partiu, deixando Grisi sozinha em Paris. No entanto,  a sua dança em seu próximo papel principal em “La Péri” (1843), coreografado por Coralli, trouxe-lhe um admirador devotado: Théophile Gautier. Seis meses mais tarde, a Opéra estendeu seu contrato por três anos -, quatro vezes seu salário original.
Durante os próximos anos Grisi apareceu em duas produções excelentes na ópera, tanto por “Mazilier - Le Diablo à Quatre” (1845) e “Paquita” (1846). Nesse meio tempo, ela também se tornou favorita no Teatro de Sua Majestade, em Londres, onde sua relação de trabalho com Perrot rendeu-lhe o papel-título de “A Esmeralda” (frequentemente citado com “”Giselle como um dos dois melhores balés românticos). Em 1845, ela dançou com Taglioni, Cerrito e Lucile Grahn o famoso “Pas de Quatre”. Em 1847, ela dançou como o Fogo em “Os elementos” e no ano seguinte dançou como o verão em “As quatro estações”. Após Perrot partir para a Rússia e sei substituído por Paul Taglioni, ela fez o papel título de “Electra, ou la Pléiade Perdue” (1849). Em 1850, ela fez sua última apresentação no ocidente, em “As metamorfoses”.
Logo ela se reuniu com Perrot, em São Petersburgo, onde sua popularidade cresceu lentamente, mas principalmente depois que ele foi nomeado mestre de balé em 1851. Em 1854, ela partiu para Varsóvia, onde pretendia continuar a dançar. Mas estava grávida e com o pai da criança, o Príncipe Radziwell,  que a convenceu a se aposentar quando ela ainda estava no auge de sua fama.
Felizmente instalada na propriedade que ele deu a ela em um Saint-Jean, perto de Genebra, ela passou seus últimos 46 anos em aposentadoria tranquila, junto de sua filha Ernestina e mantendo contato com alguns velhos amigos, como Gautier, sempre devotado. Grisi morreu em 1899, um mês antes de seu octogésimo aniversário.
(Traduzido de livro de Judith Steeh. History of Ballet and Modern Dance).

Grand Pas de Quatre com Kovaleva, Komleva, Yevteyeva e Galinskaya de 1968.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Histeria: o filme

Recentemente, Namorido e eu decidimos sair da rotina trabalho - casa e decidimos ir ver algum filme decente em cartaz. Para minha surpresa Namorido escolheu um filme muito diferente dos seus padrões de qualidade: inglês, comédia, romance e com um tema muito próximo da minha área de pesquisa, a história da psiquiatria.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Depoimento de uma não amante de carnaval.


Carnaval, nem me avisem quando acabar!

Confesso! Nunca gostei de carnaval. Quando não estou viajando, prefiro ficar ilhada na minha casa. Cinco dias tentando ignorar a tota Nem mesmo neste ano, fiquei na cidade do Rio durante a folia. Decidi passar esses cinco dias em Marica
A casa de Marica! É com essas saudosas e nostálgicas palavras (plagiadas da minissérie Maysa) a que me refiro à minha doce e muito pequena habitação localizada em frente a uma linda lagoa e longe de blocos, praia, agitação, mas com um mercadinho ali do lado.
Ainda que não possua o gosto pela folia nas minhas entranhas (isto meu amigo vem de berço e é genético), simpatizo com a festa de Momo... Eu aqui e ele lá, é claro, mas ainda sim gosto de abrir o jornal e saber qual escola de samba se destacou; qual ganhou na quarta; ver as fotos dos blocos; escutar os gritos dos foliões e torcedores durante a apuração dos votos. Tentei ainda me deixar levar pela onda contagiante, não ser apenas uma espectadora, mas também atriz no meio de tanto atores...
Não deu certo... prefiro ver o espetáculo.
Então na simpática quinta depois da folia, abro o jornal atrás de fotos, fantasias, opiniões, reportagens sobre a campeã e o balanço geral da festa. Mas uma sensação, até então não manifesta, me tocou profundamente. Decepção, não, mas estranhamento. Estranhamento de que novos tempos chegaram, que a educação da mamãe foi pro “beleléu” e que este não é a mais a festa da carne, mas da bebedeira. Essa é a sensação que eu e todos os espectadores devemos estar compartilhando. Os comentários animados sobre os blocos? E a reduzida seção sobre política e economia? Ao contrário, esta se multiplicou, e eu não se pelo medo e importância da crise ou por que o Carnaval deixou de ser que era.
Eu me pergunto (e, por favor, querido leitor se puder me responda), porque as prefeituras se matam para conseguir banheiros químicos e os bonacheirões foliões defecam do lado do simpático sanitário? Por que o saudável camarada decide pagar uma nota pela aparelhagem de som e coloca-lo em frente à um hospital? E porque leitor me diga, porque saindo do eixo zona sul - centro, ao invés de tocar as marchinhas que nos encantam e animam, a programação musical é basicamente funk e música baiana. Estamos na Bahia?!
Podem me chamar de estúpida, antiquada e obtusa, mas carnaval depois da proibição do entrudo e do lança-perfume era composto de serpentina, fantasia, romances e marchinhas...
A máxima em outros tempos era “pare mundo, pois hoje é carnaval”. Ou essa máxima se perdeu e se esqueceram de me avisar ou ela esta sendo literalmente aplicada. Engarrafamentos e trânsito confuso em pleno carnaval? ! É só olhar para a zona sul. Pista de gelo no centro da cidade?! Não, é a Presidente Vargas sendo limpa pelos garis com desinfetante contra urina acumulada. Carro da polícia depredado? Ah! É o bloco do Bola Preta passando. E a praça Odylo Costa em Santa Teresa? Cenário de filme de guerra.
Carnaval sempre teve prejuízos, algumas coisas quebradas e até confusão, afinal nada neste mundo é perfeito, porém este último, especialmente, superou todas as expectativas.  A Vila foi campeã e as notícias mais comentadas eram o quão perigosos se tornaram os quase 400 blocos de rua do Rio e a monstruosidade que ficou Gracyanne Barbosa na avenida - fato que levou o fantástico a fazer a matéria "a evolução dos corpos das rainhas de bateria" - falta do que dizer no carnaval, só pode.
Cadê o Momo, a tranquilidade da festa e a serpentina?
Podem me chamar de antiquada e dizer que evoco o carnaval utópico, mas enganados estão, pois o que evoco não são as marchinhas (a única que sei é bandeira branca), mas sim a folia em si. O balanço desta semana: carnaval é hora do “beber, cair e levantar”, mijar do lado do banheiro químico intocado, improvisar concentração de bloco na porta de hospital e depredar patrimônio público ...
Desculpem-me os adoradores da folia do século XXI, mas estes exemplos não são únicos e excepcionais, ao contrário são exemplos do generalizado. Neste novo século, carnaval sem ressaca, não é carnaval. O intuito não é a diversão.Temos, portanto, uma mudança de dinastia, despoja-se a diversão e coroa-se a bebedeira. 
Apesar dos inúmeros telefonemas de desesperados ilhados em casa pedindo asilo político durante os festejos de Momo (já que blocos impediam o trânsito de pedestres e carros) e também das visitas surpresas com o mesmo fim (precedidas por churrascos improvisados, horas de conversa fiada, até o tímido pedido do visitante que era, infelizmente, recusado devido ao tamanho da minha casinha), o mais desagradável,  não foi ver homens vestidos de piranha enquanto seres de outro planeta (ou do terceiro sexo - o que preferir) de fio dental e documentos amostra alisavam-se, mas sim dois estrangeiros (crentes que ninguém entendia inglês) afirmar que carnaval era feito de mulher nua e sujeira, e é claro preferiam a primeira. Desculpem-me as mulheres, mas tive que concordar com os gringos. Dos dois é o mal menor.

Declaração de uma espectadora carnavalesca carioca sobre os festejos de Momo do século XXI.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

As maquetes sobre as civilizações fluviais - 6º ano.

Como tarefa de férias do meio do ano de 2012 solicitei aos meus alunos do 6º ano que fizessem maquetes sobre as civilizações até então estudadas: Egito e Núbia, Mesopotâmia, China e Índia. Mas não queria reproduzir apenas grandes monumentos e patrimônios daquelas civilizações. Queria algo mais complexo que trouxesse para a sala de aula representações sobre o estilo de vida daquelas sociedades.
Havíamos visto que todas essas civilizações tinham em comum o fato de terem se desenvolvido às margens de grandes rios e desenvolvido a agricultura. Procurei então que os alunos fizessem uma série de maquetes mostrando a evolução dessas sociedades, contando um pouco de sua história.
Primeiro expliquei a tarefa fazendo comparação com o jogo Age of Empires e todos os joguinhos de casinhas do facebook. Você sempre começa com uma casinha ou um cômodo e de lá vai desenvolvendo sua cidade, casa, aldeia. Para essas civilizações ocorreu algo parecido.
Depois escolhemos os grupos e as civilizações que cada grupo iria estudar. A maquete seria livre: poderia mostrar monumentos daquela civilização ( aqueles que tivessem sido construídos durante a Idade Antiga), cidades, eventos, etc. , como obrigatoriedade eles deveriam mostrar a relação da civilização com o seu rio.
No fim ficou:
- Grupo de 4 alunos: Rio Nilo e Egito e Núbia.
- Grupo de 3 alunos: Rios Tigre e Eufrates e Mesopotâmia.
- Grupo de 4 alunos: Rios Hoang- Ho e Yang-Tsé e China.
- Grupo de 4 alunos: Rio Indo e Índia.
Ao longo de um mês, os alunos trabalharam nas sua maquetes. Tiraram dúvidas com o professor e pesquisaram na internet e no livro escolar. No dia da entrega, as maquetes foram entregues com a apresentação do grupo. Eles explicaram cada elemento. O resultdao me surpreendeu, os alunos realizaram uma boa pesquisa e trouxeram maquetes bem elaboradas. No Egito Antigo e a Núbia, eles recriaram o vale dos reis com as três pirâmides de Gizé e o Rio Nilo e a zona de agricultura nas suas margens. Eles explicaram o sistema de cheias e quais os cultivos realizados. Fizeram também uma réplica da cidade proibida e platações de arroz. Por último, a Índia, os alunos mostraram como ocorreu o deslocamento da população do Rio Indo para o Rio Gangês. Fizeram o Rio Gangês e todos os cerimoniais realizados em suas margens.
Considero o resultado final satisfatório. Os alunos compreenderam a importância dos rios para o desenvolvimento das antigas civilizações e após as exposições debatemos se o mesmo ocorrer no Brasil. Falamos das hiroelétricas e do rio que passa atrás da escola, responsável pelo escoamento e fornecimento de água na região. A atividade foi importante para enfatizar a diferença entre essas civilizações e as demais que estaduríamos, todas relacionadas ao comércio e a pesca, e náo mais à agricultura.
Infelizmente náo tenho fotos, pois no recreio a turma vizinha ao brincar com as maquetes, quebraram todas, o que acarretou em choro, briga, advertências e estresse.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lili voltou!

É isso mesmo! Minha linda gatinha voltou. Foi literalmente encontrada por minha outra gata, a Zoé, debaixo de um carro. Não está andando e está com problema de megacólon (quando não faz suas necessidades e "entope" tudo. Ela está fazendo lavagem (eca!). Mas vai ficar tudo bem.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Nos idos de 1943 ...

E lá pelos idos de 1943 ... no dia 03 de julho saiu uma imensa matéria no jornal sobre a visita de Getúlio Vargas à Jacarepaguá. Muito provavelmente no dia 02 de julho foi festa em Jacarepaguá, vários empreendimentos governamentais estavam sendo inaugurados e Getúlio Vargas era o grande convidado. Muito mais que convidado era também mestre de cerimônias.
Não era a primeira vez que Getúlio comparecia ao bairro, mas dessa vez levava consigo o progresso, a saúde, as reformas e estradas. Ligava o então distante bairro à vida citadina. Dessa vez houve festejos, homenagens, discursos e fotos oficiais. Todos com Vargas no centro das atenções. Era uma estratégia de angariar o apoio política das massas e se mostrar forte governante. Rodeado de pessoas comuns, ele estava próximo do povo, era o "pai dos pobres".
A reportagem de 1943 é uma entre tantas que contam a visita de Getúlio Vargas à Jacarepaguá. Foram muitas solenidades, quase todas inaugurações de obras públicas, que grandiosas ou não, tornavam-se espetáculos para o povo. Um samba enredo já ensaiado e cantado, mas que mesmo assim encantava  à população.


Texto da manchete sobre a visita de Vargas à Jacarepaguá em 1943, jornal A Noite.


Manchete de 1943 no jornal A Noite.

Retrato de Getúlio Vargas na C.S. Unidos de Jacarepaguá.


Jornal A Noite de 03 de julho de 1943

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Uma gata chamada Lili.

Hoje infelizmente comunico que minha gata Lili, que dá nome ao blog, desapareceu. Está há quase duas semanas fora de casa e creio que não voltará. Lili sempre foi uma gata de rua, mesmo que tentássemos à todo custo domesticá-la. Já houve vezes que ela não retornou para casa, mas nunca nesse intervalo de tempo. Dada às estatísticas das redondezas, creio que Lili não se encontra mais entre nós.

Lili era uma gata linda, carinhosa, meiga e com imensos e brilhantes olhos azuis!
Primeiro: eu fui adotada pela Lili. Ela apareceu aqui em casa com 6 meses grávida, batendo e comendo a comida do meu gato macho e super feminino Minimim. Ela entrava, nós expulsávamos, ela entrava, nós expulsávamos e ficamos nessa dança um bom tempo, até que ela nos olhou com aqueles imensos olhos azuis e fez "méééééééééééééééééé"! Sim, porque Lili nunca miou, ela fazia "méééééééééééé". Com o tempo ela demonstrou ser extremamente carinhosa e carente! Ia com todo mundo, gato, passarinho, vizinho, qualquer pessoa que pudesse fornecer carinho e comida. Uma típica gata de rua.


Lili e seus imensos olhos azuis.

Ela era extremamente carinhosa, mas era impossível prendê-la. Ela gostava de rua. Não era difícil vê-la no meio da praça, deitada às 10 horas da manhã ou ainda vê-la cinco ruas depois da minha perambulando atrás de gato. Mesmo castrada, Lili tinha fome, digamos que insaciável, por você sabe o que. Assim demos vários codinomes: "Piranha, Copélia (em homenagem à personagem do Toma Lá Dá Cá), Geni, entre outros).
Lili teve 5 filhotinhos: Lindinha (que puxou a mãe em tudo, inclusive na "piranhice"), Pretinha (a única que ficou com a gente é a antítese da Lili), Boiolinha (nome politicamente incorreto, mas fazer o que?), e as irmãs gêmulas do mal, que infelizmente faleceram.

Fazendo chamego para câmera.

Primeira foto da Lili!

Me observando enquanto trabalho.

Esperando a hora da ração.

Lili era carinhosa e eu realmente gostava dela. Um programa perfeito era passar a tarde trabalhando em casa com meus gatos, principalmente Lili, me vigiando em cima da cama. Ainda tenho esperanças que ela volte, e que apareça de banho tomado e coleira nova (isso já aconteceu). Até lá sinto falta dos "méééééés".

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Boas Festas!

Agora sim. Estou de férias. Passando aqui só vindo desejar, para todos os amigos e leitores do blog, um feliz natal para todos e um ótimo ano de 2013. Boas festas! Não comam muito e se divirtam!


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Juliano, Patrícia e Gabriele, os romanos e os bárbaros.

Última aula do ano e estava na dúvida sobre o que deveria fazer nas minhas turmas do sexto ano do ensino fundamental. Como era a última aula e a matéria estava fechada, os alunos queriam aproveitar, em clima de festa, este momento. Porém, alguns alunos já estavam em recuperação, e portanto, precisava aproveitar esta última aula para arrematar ponto soltos, tirar dúvidas e reforçar a matéria. Decidi realizar um tarefa que aliasse prazer e conteúdo. No mês de outubro participei de um curso sobre como utilizar histórias em quadrinhos dentro da sala de aula. Resolvi colocar em prática o que aprendi e o resultado foi melhor que o esperado.
Como a turma em questão era pequena pedi ao alunos que se dividissem em grupos de três alunos. Cada grupo deveria fazer uma história em quadrinhos sobre a Queda do Império Romano. Eles deveriam escrever um roteiro para a história onde aparecessem os seguintes tópicos:
1. Invasões bárbaras.
2. Novas classes sociais: honestiores e humiliores.
3. Império Romano do Oriente.
4. Edito de Milão
5. Questão Iconoclasta
6. Ruralização da Europa
7. Sistema de Colonato e Servidão.
Expliquei o que era história em quadrinhos e levei também alguns exemplares de sebo para que eles tivessem exemplos, como turma da mônica, x-men, menino maluquinho, super-homem e outros. Expliquei como se construía uma história em quadrinhos, desde os espaços para desenho, o roteiro que deveria ser escrito antes, cada tipo de balão de comunicação, a diferença entre história em quadrinho, tirinhas e charges. 
Com todas as dúvidas sanadas foi hora de rever o conteúdo, expliquei e resumi rapidamente a matéria sobre a Queda do Império Romano, a influência dos bárbaros dentro do Império, a religião cristã, a divisão do Império e o início da Idade Média. Também levei para eles uma história do "Príncipe Valente" (um príncipe que servia ao Rei Arthur e vivia suas aventuras na Inglaterra medieval). Nessa história em questão, Príncipe Valente conhece Juliano, o último romano da antiga Bretanha, que protegia uma muralha onde os vikings (aqui vistos como bárbaros) não se atreviam a chegar, já que para eles Juliano era um deus e imortal. Na história, durante o fim do Império Romano, os soldados e legionários romanos foram sendo retirados da muralha, porém um único soldado ficou, sendo responsável pela proteção da muralha, Juliano. Este Juliano deu ao seu nome ao seu filho que o sucedeu na tarefa de vigiar os vikings. Essa sucessão acabou virando tradição na família e criou, entre os bárbaros na história, a lenda do legionário imortal da muralha.
Os aluno adoraram a história que serviu como base para explicar as invasões bárbaras e a contínua diminuição do exército romano naquela época.
Depois de ler a história foi hora de colocar "mãos na massa" e fazer a atividade em si. Essa é uma atividade muito boa, pois os deixa à vontade para conversar, brincar, ao mesmo tempo que desenham, inventam e consultam o livro. As histórias construídas foram muito boas e serviram para que eles entendessem o momento de crise pelo qual passava o Império do Ocidente no século III e IV d.C.. Eles deram nomes "romanos" e nada romanos aos personagens e criaram histórias de traição, guerra (eles exploraram bastante a questão das invasões bárbaras mostrando cidades sendo saqueadas), fuga dos heróis com seus filhos em busca de uma vida melhor no campo. Até mesmo mostraram a inserção do bárbaro dentro do império, com a história de Patrícia, uma mulher da nobreza (patrícios) que foge das invasões com seus filhos Tiffany e Davi (esse era cristão) que ao final da história casa-se com o bárbaro rico que lhe forneceu casa e comida.
Tudo não foi um mar de rosas até o chegarmos ao resultado final. A turma, inicialmente, não queria realizar a atividade, as atividades foram mal distribuídas e precisei intervir para que a "coisa andasse", mas no fim valeu a pena. Eles leram os seus trabalhos e riram dos seus desenhos. Tenho certeza que aqueles que ficaram de recuperação tiveram uma oportunidade de rever o conteúdo, ao mesmo tempo em que todos se divertiam.

A história de Patrícia, a romana

Os bárbaros invadindo a cidade de Patrícia.

Capa da história em quadrinhos

Roteiro da história

Final feliz da história, Patrícia e seus filhos casados

Os bárbaros invadindo outra cidade.

No campo, a plebéia Gabriele indo trabalhar nas terras do senhor como colono.

O início de um feudo.

A cidade vazia, todos foram para o campo. Detalhe para a torre de Pisa.

O Imperador e o Edito de Milão.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ballet é para poucos.

Você já foi numa apresentação de ballet?
1. Se sim, continue lendo o próximo parágrafo.
2. Se não pule para c.

Sim: Você assistiu a uma apresentação de ballet. Você então:
1. Dormiu. Lei o paragráfo b.
2. Vibrou. Continue lendo.



a. Quem vibra num ballet, provavelmente é ou já foi um bailarino. Se não, têm na alma uma coisa enrustida, uma frustração por não ter feito (ainda, vide o tanto de aula para master aparecendo por aí). O ballet é vendido como algo mágico, que proporciona minutos de pura beleza, elegância e perfeição. Sim o ballet é tudo isso, mas também é dedicação, aos calos, à dor, ao treinamento, à dieta, ao suor e à perfeição, novamente. Todo bailarino quer ser perfeito. Todo bailarino é rival de si mesmo. Ele luta contra suas "imperfeições" físicas e psicológicas. Físicas, pois todo o movimento do bailarino é anti-natural. Difícil são aqueles que nascem com "pernas em x" (joelhos voltados para trás), com linhas de pernas, tronco e braço perfeitos. Se nascem são prodígios, se conseguem através do treinamento são campeões. Psicológicas, pois todo esse esforço não vêm fácil. Você adequada sua vida à dança. Ela é sua vida, nada mais existe.
Quem vibra com o ballet sabe de tudo isto. Quem ama o corpo de baile, sabe que aquilo vêm de todo um esforço, que nada deve ser desproposital. Um linha de dedo fora do lugar é um erro.
Quando eu vi o filme Cisne Negro, vi com um grupo de amigos ansiosos em ver o filme. Confesso que relutei um pouco, em parte, porque não vi nada de impressionante no roteiro. Durante a "sessão", a conversa toda foi em torno das coisas horripilantes do filme: os dedos sangrando, a magreza, o esforço, as sapatilhas duras, os alongamentos constantes e impossíveis. Tive que manifestar: "gente, mas ballet é isso? Vocês achavam que era o quê? Isso é algo tão normal ...". Virei a alienígena na sala. A conversa girou em torno do porque as pessoas fazem coisas desse tipo com o próprio corpo. A resposta "porque amam a dança", não foi satisfatória.




b. E aqui entra a opção você dormiu quando viu um ballet. Meu Pai dormiu em todas as minhas apresentações e de Irmã também. O ronco dele era regra em todas as apresentações. Ele nunca deixou de ir, mas nunca conseguiu apreciar. Só acordava quando nós entrávamos em cena. Ele nunca gostou, achava nossos pés enfaixados bizarrices de Mãe, angustiada em torturar as filhas com aquilo. Que era melhor cursos de inglês e informática. Ballet não é para todos. E se você está com alguém que ama a dança, só lhe restam duas opções: ou você gosta ou dá o braço a torcer. Você não irá entender nada dos movimentos, dos sinais velados que somente quem faz parte do "clube" da dança conhece e interpreta. Namorido foi ver comigo O Quebra-Nozes. Fomos em uma apresentação da Ana Botafogo. O levei na esperança que ele gostasse da dança, mas no fundo sabia que ele não tinha esse perfil. Ele não dormiu, mas achou tudo entendiante, quadrado, sem significado, rotulado e preconceituoso. Algo típico do século XIX. Para quem não sabe os ballets clássicos em sua maioria foram "criados" no século XIX. Errei em levar Namorido, mas como aprendemos com nossos erros, saibam que se você ama ballet, não se esqueça que esse amor é seu, não de outros.






c. Se você não assistiu à uma ballet, vá se você realmente quer assistir. O ballet é algo que precisa ser experimentado para apreciar o gosto. Não vale o rótulo "não gosto, nem nunca assisti". Recomendo um ballet curto e mais clássico. Não vá achando que irá adorar Lago dos Cisnes. São 4 horas sentado. Aja bunda, imagina se odiar.




De tantas dificuldades, o relaxamento e as mudanças.

Nos últimos tempos, tenho andado instável. Instável temporalmente, psicológicamente, intelectualmente, profissionalmente e principalmente ociosamente. De tantos "mentes", o ócio veio ao meu encontro, meio que na contramão da pista de mão única. Imposto radicalmente para me fazer refletir e refletir sobre o refletir. Parece um pleonasmo, mas é óbvio, que para seres mortais como eu, nada é tão óbvio assim. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

007, as bondsingers, as bondgirls e tudo que eu não gosto nesses filmes.


Eu não gosto dos filmes da série 007. Já assisti aos antigos, daqueles que só faltam as onomatopéias do seriado do Batman, daquele 007 loiro Sean Connery e seu rival dentes de aço que comeu os cabos do bondinho, do agente gigôlo do Pierce Brosnan e esse novo, do nada bonito, mas dizem as mulheres muito macho, Daniel Craig.