Resolvemos de fato mudar de casa. Algo que já é muito caótico com o passar do tempo e ressonar da notícia se tornou mais caótica ainda. A casa de destino em questão é a casa de infância do Jones que está, digamos assim, em situação deplorável. Meu pai e eu fomos vê-la, e ele com muita diplomacia disse: "a casa é boa, mas precisa de uma boa reforma". E cadê dinheiro para isso? Bem, a situação é que com reforma ou sem reforma nos mudamos. A notícia gerou uma série de protestos de minha família, que depois de muito alarde se comprometeu a ajudar. O problema meus amigos foi os meus digníssimos senhorios. Por alguns desencontros e problemas não entramos em acordo. Portanto obra em casa com pendenga na outra. A coisa boa é que ganhamos duas gatinhas, Kizzy e Bell, que fazem uma bagunça e são alegria pura. Pasmem, elas não têm medo de fogos de artifício.
Enfim, o importante desta postagem é uma reflexão sobre minha primeira noite sozinha desde que me casei. Devido aos meus probleminhas, Jones tem evitado me deixar sozinha. Quando isso acontece ele me deixa aos cuidados de amigos. Hoje é minha primeira noite de fato sozinha. Com Bell e Kizzy, mas sozinha. Minha televisão não pega, todos meus amigos não respondem no whatsapp e meu pc quebrou. Estou mais ilhada que o Robinson Crusoé. Isto está servindo para uma onda reflexiva e de interiorização sem precendentes. Como fica minha vida no doutorado? Não fica. Fiz absolutamente tudo errado e agora tenho que arcar com as consequências de meus atos. É hora de arranjar um bom emprego. E minha vida psíquica? Como fica? Por ironia do destino, após mais uma frustração e crise, recomecei a pesquisa e estou lendo meus livros de duas formas, como leitora de auto-ajuda e como historiadora da ciência e da medicina. O que posso dizer é mesmos com mais de 100 anos de publicação, os livros de Austregésilo, de certa forma, são bem atuais. Eles ainda servem ao seu propósito de higienizar a mente da elite brasileira de então. Combater o que para ele era psiconeurose e para mim depressão. Feita as devidas ressalvas e respeitados os anacronismos, estaria eu no consultório de Austregésilo no início do século XX sendo tratada por meio das palavras e com aumento de energia da vontade? Porque eu definitivamente estou tentando a auto-sugestão. Há tempos ando a procura de um psicólogo ou psicanalista com quem sinta bons resultados. Porém não tive sucesso. Os estou substituindo por "Educação da Alma" e "A Cura dos Nervosos". Péssima atitude para uma historiadora, mas cansei de lutar contra meus instintos. Tentei de todas as formas ler imparcialmente os textos a ponto de parar a pesquisa por quase dois anos. Decidi priorizar-me. O fato é que o doutorado deve ser abandonado. Mas Austregésilo tem me feito um bem que remédio algum fazia.
Outra reflexão da noite é a total inércia de atitudes e preguiça fisica e intelectual que cercou minha vida nesses últimos quatro anos. Me tornei no ser mais apático do universo, o que me leva à infância, pois era exatamente assim quando criança. Depressão é um negócio engraçado. Você vira uma outra pessoa e ao mesmo tempo retorna a condição de criança. Hoje fui na casa de minha mãe e a vi nervosa costurando mais de 50 fantasias de dança. Minha irmã ajudava. Quando tinha 14 anos minha mãe passou por algo parecido, mas por conta de um "ataque de nervos", não conseguiu entregar. Hoje foi completamente diferente. Minha mãe mudou. Fiquei pensando no quanto mudei também e entendi uma das construções psiquicas de Freud. O ser humano se reestrutura a todo momento. Não há um retorno à um estado de saúde, pois o antes não era saudável e o agora não é doentio. Há um desequilíbrio causado por um motivo e cabe ao indivíduo se recompor num novo ser para contemplar o desequilíbrio e alcançar um novo equilíbrio. Isso trouxe uma nova perspectiva para mim. Não acredito em cura de estados mentais. Nunca acreditei que vou ficar curada da depressão. Tenho há tanto tempo que nem sei quem eu sou sem ela. Me agarrei de tal forma que sem ela parace haver o inexistente. Jones diz que esse pensamento é mais um sintoma. Mas pensando no esquema freudiano percebi que mesmo sendo depressiva eu vivia em equilíbrio com ela. Equilibrio que foi perdido. É necessário me redefinir para compor um novo eu no qual essa depressão também se encaixe. Como fazer isso é a grande questão. Tenho pensado estar no caminho certo. Para depois dar três passos para trás. Mas o processo de retorno ao equilíbrio deve ser assim mesmo. Estou pensando em retornar as atividade s físicas e persistir na dança. Vamos ver. O meu principal problema de hoje é dormir enquanto a Bell cutuca minha barriga e a Kizzy brinca no meu cabelo. Boa noite.
Um blog para todos aqueles interessados em gatos, dança, história e assuntos diversos.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Mudança e conflitos
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
30 anos
No dia 13 de setembro de 2015 fiz 30 anos de idade. Não teve festa, comemoração e passei sete horas dentro de um ônibus enjoada até a morte com o cheiro do banheiro. Jones disse que entrei na melhor fase da minha vida. Não tenho tanta certeza. Ter 30 anos não parece ser tão especial quanto qualquer idade que tive ou terei. O que posso dizer é que contrariando meus pensamentos cheguei aos 30 anos. Tenho depressão e sempre me imaginei morrendo antes dos 25. Sabe, com a depressão você não fica muito positiva sobre seu futuro, presente ou passado. Sua vontade some aos poucos. Vontade de sorrir, de comer, de sair, de levantar, de viver. Remédios para controlar os pensamentos e muita psicóloga. Mas enfim, cheguei aos 30 e estou um pouco feliz. Não com a idade, pois isso é o que menos importa. Mas em como as coisas estão. Estou desempregada, quase abandonando o doutorado e fazendo deste blog meu diário pessoal. Mas finalmente consigo me abrir. E finalmente tenho alguém que não me preenche, mas me transborda. Tive que aprender a gostar de mim para depois gostar de alguém. Aprender a não deixar alguém pisar em você só porque você o "ama" ou pensar que ele é o melhor que terá. Tive muitos relacionamentos abusivos na minha vida sem nem perceber que estive num relacionamento desses. Hoje percebo as roubadas nas quais estive e ao invés de me lamentar, ou dizer "cara como fui burra", levanto a cabeça e digo que aprendi muito com eles. Aprendi o que não quero. Nem tudo são flores, mas acreditar quando o rapaz diz que você é menos inteligente que ele quando você tem mais artigos publicados, não é normal. Uma pessoa que diz que te ama não deve te depreciar, mas sim te enaltecer. O tal transbordamento que falei acima. Não é colocar no pedestal da Igreja, mas te impulsionar a sempre melhorar. Jones tem um lema: "você consegue amor". Está sempre dizendo "você é fantástica" e não reclama das minhas roupas, cortes de cabelo, do meu batom vermelho ou da falta dele. Tenho muita sorte em tê-lo na minha vida. E sei que isso causa inveja também. Principalmente de pessoas que não entendem esse tipo de relacionamento, de amantes-amigos. Só conhecem o amantes-dependentes. Uma pena. Desejo o melhor a todos eles.
Uma queixa que fiz recentemente no meu extinto Facebook foi o preconceito que muitas pessoas tinham ao Jones. Ele possui deficiência por ter um doença degenerativa, distrofia muscular de Becker, no qual o portador vai perdendo os movimentos dos membros e força dos músculos. Hoje ele anda de bengala, futuramente de cadeira de rodas. Quando o apresentei a minha família, percebi comentários de que seria enfermeira. Sim, cuidarei da pessoa que amo. Assim, como ele cuida de mim, pois no meio das crises é ele que fica abraçado comigo, fazendo cafuné enquanto sinto a maior tristeza que alguém pode sentir. O amo do jeito que é, com bengala, com cadeira de rodas, com rebolado, com voz fina, com barbicha de bode, sorriso fácil e barriguinha de seis meses de gravidez. Vou cuidar dele, vou sair com ele, vou viver com ele. Entendo que este não deve ser o sonho de um relacionamento normal que pais têm para os filhos. Mas foi o que escolhi. Jones não é um inválido. Ama a vida e sabe aproveitá-la muito bem. De nossa viagem-presente à Paraty, quando implorei que saíssemos do Centro Histórico porque estava com medo que ele caísse e se machucasse, ele me disse "Janis, deixa eu passear e andar porque um dia eu não poderei mais, tenho que aproveitar". Isso não é pensamento derrotista. Tenho certeza de que até de cadeira de rodas ele iria passear por lá. Ele lava, passa, cozinha e só não limpa a casa porque essa é minha tarefa. Trabalha em três lugares diferentes e sobre vários ônibus por dia. É mais ativo que eu. Aprendo muito com ele.
Mas estou com 30 anos, numa encruzilhada. Posso ir para qualquer caminho. Tenho uma pessoa que amo muito e me faz refletir sobre o verdadeiro valor da vida. Descobri que meu hobby é viajar. Muito mais que dançar, ouvir música ou desenhar. Que sou artista. Tiro fotos maravilhosas com a câmera de 5 megapixels do meu celular porque não tenho condições de comprar uma câmera melhor. Penso no futuro, com um otimismo que não pensei ser possível por muito tempo. Isso é maravilhoso e assusta um pouco. As crises virão, sempre virão. Mas tem luz no fim do túnel. Tenho 30 anos e quero ter mais 30 pela frente.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Da maravilha de se ter amigos
Uma das coisas que mais amo em ter me casado com o Jones são os amigos dele. Pela primeira vez os raios cósmicos e as forças do universo se confluíram em um movimento perfeito de entrosamento. Adoro os amigos dele, eles me adoram (acredito eu) e os meus amigos gostam dos amigos dele. Coisa deliciosa. Isso tornou possível uma viagem que o "nosso" amigo Sérgio agendou e coordenou para Paraty, no Rio de Janeiro. Como carioca e historiadora, pasmem, nunca tinha ido à essa cidadezinha encrustada na Mata Atlântica por um lado e cercada pelo mar do outro. Sempre achei que devia ser uma cidade caríssima visto as tabelas tarifárias da maior parte dos hotéis e pousada que vi na internet. Uma dica de pesquisa é esse site: http://www.paraty.com.br/hoteis.asp (Eles fazem uma divisão por preço ou localidade).
Como fomos de ônibus escolhemos uma pousada entre a rodoviária e o centro histórico na Avenida Roberto Silveira (http://www.paraty.com.br/brisadaserra/). A localização foi fundamental já que o Jones não pode andar muito. Ah! E também se forem de ônibus saibam que a viagem demora no mínimo cinco horas. Dramin na veia. Esqueci o meu e me ferrei na volta. Voltando ao post.
Paraty é uma cidade charmosa e deliciosa. Não vou ficar me alongando aqui sobre a história da cidade, pois você pode pesquisar em diversos sites por aí. O que devemos saber é que Paraty teve seu momento áureo na época do ouro quando o caminho real terminava por lá e servia como porto de escoamento dos metais preciosos de Minas Gerais. Da abertura do caminho novo que modificou a rota para o Rio de Janeiro, Paraty viveu quase esquecida quando em fins do século XX foi redescoberta como rota turística. O seu centro histórico é todo tombado e foi por lá que ficamos. Fazia muito frio (15°C) e chovia muito. Mas mesmo assim nossa estadia foi maravilhosa. A população flutuante da cidade é enorme e vários são os idiomas e sotaques que você ouve ali e aqui. Prepare-se que o preço lá acompanha a inflação. Pão com mortadela comprado do supermercado pode ser a grande pedida da noite se você for um viajante pobre como eu. Acordar cedo, só se for passeio de escuna. Se não, apareça por lá só pelas 10h da manhã. As lojas do Centro Histórico só abrem mesmo à tarde e à noite. E tênis, muito tênis nos seus pés. Nada de salto ou sandalhinha. As pedras do Centro Histórico são um desafio à parte para todos os turistas. Eu caminhando com dificuldade, tentando não escorregar e carregar o Jones junto, vi estarrecida dois entregadores de bicicleta zanzando pelas ruas históricas com a mesma destreza que eu caminho no asfalto. Pensei que eles deviam aprender a andar de bicicleta ali antes mesmo de aprenderem a andar. Jones fez malabarismos com a sua bengala, mas não caiu uma só vez. Orgulho do meu menino! Conversando com a dona da Pousada ficamos sabendo que numa obra para o cabeamento subterrâneo de energia, as pedras do centro histórico não foram colocadas corretamente dificultando mais ainda o que já era dificultoso. Seria interessante colocar rampas de madeira nas laterais das ruas, facilitando o acesso às pessoas com dificuldade de locomoção.
Visitar as igrejas históricas de Paraty foi um capítulo à parte. Duas estavam fechadas. A matriz conseguimos entrar e nos deparamos com um cachorro "rezando" aos pés da imagem de um santo. A outra (a de Santa Rita) sofremos bullying. O segurança nos fez dar a volta inteira no quarteirão para que o Jones pudesse chegar na Igreja e ter o prazer de dizer na porta que estava fechada para almoço. Raiva mil.
Comemos no que achamos ser o restaurante mais barato do lugar com um "PF" de R$ 18,00 que infelizmente não comi pois o meu peixe era só espinha.Os demais adoraram seus pratos. Sorte a minha né?! E depois saboreamos um cafezinho no Café Divino. Sensacional! Café coado na sua frente, na sua mesa, com a proprietária que adora conversar tornando tudo muito mais aconchegante. Volto lá com certeza.
Gostaria de agradecer ao Sergio por essa surpresa maravilhosa e por nos ter apresentado ao Ricardo, outra pessoa que dá gosto de conhecer.












Ps.: Fiz 30 anos no domingo.












Ps.: Fiz 30 anos no domingo.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Nova vida, novo amor, novos problemas e quase balsaquiana
Depois de muito pensar, repensar e lembrar dos apelos de meus ex-alunos decidi retomar o blog. Muita coisa aconteceu, muita coisa mesmo. Principalmente depois de ontem com meu ataque de fúria com meus bebelos. que terminou numa choradeira só, meu cabelos cortados aleatoriamente e medo de olhar no espelho. Mas vamos por parte.
Número um: Me mudei. Sim saí de casa para uma simpática casinha de quarto e sala, numa vilazinha no bairro do Riachuelo. Depois de dois meses, Jones veio morar comigo. Ou seja, me apaixonei perdidamente pelo simpático carinha "nordestino" que faz faculdade de química.
Número dois: Estou prestes a me mudar de novo para Duque de Caxias fugindo do aluguel.
Número três: Zoé me abandonou e me trocou pela minha mãe. Snif snif.
Número quatro: Pela primeira vez cortei os cabelos bem curtinho (num salão), mas cresceram.
Número cinco: Me irritei e cortei na faca (vejam como está difícil de aceitar pois falo isso pela segunda vez).
Número seis: Entrei como professora contratada no colégio Pedro II e encontrei os adolescentes mais bacanas que conheci.
Número sete: Saí do Pedro II.
Número oito: Entrei no doutorado.
Sim, muitas coisas aconteceram. E creio que terei de fazer vários posts para comentar sobre elas. Mas hoje vamos nos deter no primeiro quesito. Morar sozinho. Veja, eu nunca morei sozinha. Mamãe sempre esteve ali limpando as coisas e Irmã comprava o pão. Mesmo agora eu não moro sozinha! Jones se instalou na minha casa, uma semana depois que recebi alguns móveis. O que posso dizer é que casar não é fácil. Você pode estar com a pessoa mais fantástica do mundo, mas você vai odiar a quantidade de sabão que ele usa pra lavar a roupa, o jeito que dobra a roupa, e os horários inconvenientes que usa o banheiro.
Jones é o cara mais legal do mundo (e já estamos um bom tempo juntos). Muito calmo e prestativo. Lava, cozinha e passa. É meu empregado doméstico. A vizinha vive dizendo que ganhei na loteria. Mas o que aprendemos quando casamos? Que o pior inimigo somos nós mesmos. Não adianta a pessoa ser perfeita e se tu é um mala do convívio. Eu descobri o pior em mim. Descobri que ao contrário do que minha mãe pensa eu sou maníaca por arrumação, principalmente quando a bagunça é do outro. Descobri que sou viciada em desinfetantes. Limpo em meio a devaneios químicos. Descobri que adoro brigar por mínimos detalhes. Em só comentar sobre os deslizes caseiros do outro. E quando Jones faz alguma maravilha digo "não fez mais que a obrigação". Depois de muito refletir tenho tentado frear esse meu lado dark. Logo eu pessoa tão pacífica e flexível ... Acredito que Jones seja masoquista.
Já falei que Jones faz bolos? Conquistou Papai pela barriga. Feito e tanto! E como sempre minha fama de má cozinheira aumentou. Mamãe não acredita que sobrevivo com almoços. Na verdade, percebi que ela só ficou mais relaxada quando descobriu que Jones cozinha aqui em casa. São bolos, carnes assadas, feijões, frango com batatas, peixes, saladas que estou pensando seriamente em levá-lo ao MasterChef Brasil.
Jones só tem um problema sério. Ele adoro quebrar meus copos. Veja, eu comprei um monte de copos grossos na cor do arco-íris (dica: R$25,99 na Leader Magazine aqui do Rio de janeiro). Os copos são grossos feitos para não quebrarem com facilidade. Quebrou todos. Eu nem vi. Ele fica na surdina esperando que nunca perceba.
Mas voltando ao quesito morar sozinho de aluguel, você descobre que existe dois personagens muito importantes na vida de jovem independente: o proprietário e a vizinha idosa. O primeiro, você irá detestar com todas as forças. Ele é o cara que pega metade do seu salário todo início do mês e demora séculos para consertar qualquer coisa que quebre na residência. Cara de bicheiro e 171 toda vida. O segundo personagem é do tipo ame-o ou deixe-o. Ou você o incorpora a sua filosofia de vida, ou meu amigo, se mude. Note: tenho três vizinhas idosas e todas sabem tudo o que acontece entre a crosta terrestre e a estratosfera da minha vida antes de mim.
Outra coisa fantástica é quando seus novos parentes, os do seu marido no caso, aparecem para visitar. Notem: minha família é muito reservada, falam baixo e só conversam entre eles. A família do Jones não, você os escuta chegando na esquina da rua. Dão palpites inconvenientes, falam alto, soltam risadas e comentários preconceituosos com a sutileza de um peido de rinoceronte numa lagoa calma da savana africana. Todo mundo ouve. A confusão foi tanta quando vieram aqui da última vez que uma das minhas vizinhas idosas pediu arrego e foi dar uma passeada. Me sinto naquele filme "Casamento Grego", a família dele super sem graça e a dela explodindo de felicidade. Detalhe: nossas famílias não se conhecem ainda. Quando acontecer conto em primeira mão com pseudônimos e a frase "baseado em fatos reais". Segurem a pipoca.
Agora chega. Jones acabou de descobrir um aplicativo de celular que só toca músicas do anos 80 e não sabe dar play. Já falei que odeio o celular do Jones?
PS.: Daqui há dez dias faço 30 anos. Esperando para ver qual o presente que o Jones vai me dar. Se ele errar estou pensando em pegar a peixeira da minha mãe. Ela vai ficar orgulhosa de mim.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
150 anos de Ernesto Nazareth*
Hoje se perguntarmos a uma pessoa o que é o tango brasileiro, muito provavelmente a pessoa dirá "não sei". Ou então pergunte quem era Ernesto Nazareth. Poucas pessoas saberão de quem falamos. Numa época em que pagodes, sambas e outras músicas populares invadem as lojas e nossos iphones, deveríamos saber que houve outra época, em que mesclar o erudito com o popular foi inovador. Um feito para grandes mestres da música brasileira, o mais reconhecido deles, Ernesto Nazareth.
Ernesto Nazareth aos 45 anos, 1908.
Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images
Há 150 anos nasceu Ernesto Nazareth. Esse homem que foi, no fim de sua vida, paciente da Colônia Juliano Moreira, é visto como um dos grandes mestres da música popular brasileira. Lugar de destaque que divide com Chiquinha Gonzaga. Nasceu em uma casa na encosta do Morro do Pinto na região do Porto do Rio de Janeiro. Seu pai era um despachante aduaneiro e sua mãe, que morreu quando Ernesto ainda era criança, a responsável por lhe instruir os primeiros ensinamentos musicais. Aos 14 anos compôs sua primeira música, a polca-lundu “Você bem sabe”, uma resposta ao pai, para afirmar sua vocação musical. Ernesto Nazareth compôs mais de 200 obras, a mais famosa “Odeon”, e a maior parte delas tangos brasileiros, que faziam parte dos Chorões, uma união de ritmos que animava as festas (forrobodós) cariocas. Ligado às músicas eruditas, Nazareth trazia em suas composições elementos populares e africanos. Passou a vida, gravando músicas, se apresentando nas casas de música, como pianista demonstrador e no salão de espera do Cinema Odeon. Foi reconhecido internacionalmente, o que não lhe privou de uma vida modesta, apesar de suas músicas terem dado lucro para seus editores. Foi casado e pais de quatro filhos. Foi compositor, instrumentista, pianista e professor de música.
Anúncios de discos da gravadora Odeon,
1930, incluindo o 78-RPM gravado pelo próprio Nazareth contendo as peças
Apanhei-te, cavaquinho e Escovado. Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images
No decorrer de sua vida perdeu a audição e foi diagnosticado com sífilis, sendo internado na Colônia Juliano Moreira em 1933. Na Colônia, tocava piano na casa do administrador. Em 1934, depois da visita da sua filha, Ernesto Nazareth fugiu da instituição. Seu corpo foi achado três dias depois, na cachoeira da Colônia, em estado de decomposição. Era um domingo triste de carnaval. O Rio de Janeiro havia perdido um grande compositor para a morte e a loucura.
Reportagem
anunciando a morte de Ernesto Nazareth, Correio da Manhã, terça-feira, 6 de
fevereiro de 1934. Fonte: http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx
*Reportagem publicada no Jornal Abaixo-Assinado Jacarepaguá de julho de 2013.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Vaslav Nijinsky (1890-1950)
Fotografia assinada por Vaslav Nijinsky em Le Spectre de la Rose, fotografia de Bert, 1912, V&A Theatre & Performance Collections, Valentine Gross Archive.
Vaslav Nijinsky, um dos maiores
bailarinos do século XX, já era bem conhecido em São Petersburgo, quando Diaghilev contratou-o para
dançar com Ballets Russes em 1909.
Nijinsky não era uma figura
cativante no primeiro encontro: ele era baixo, atarracado e fora do palco,era um
pouco tímido e quieto. Na frente de um público, no entanto, ele tinha grande
presença e expressividade. Sua técnica clássica era excelente - especialmente
sua elevação e ballon - enquanto
suas caracterizações dos
personagens era igualmente notável. Seu
gosto por papéis incomuns deu à sua reputação aspectos quase místicos. Logo,
sua fama era tão grande como a de Taglioni , principalmente depois das
performances nos ballets de Fokine “Les Sylphides” e “Spectre de la Rose”( neste,
seu salto através de uma janela se tornou um dos mais famosos na história
ballet). Ele dançou com a maioria das bailarinas famosas de sua época,
incluindo Pavlova, mas suas performances mais famosas foram criadas em parceria
com Karsavina. Ele também dançou com Isadora Duncan em Paris – uma experiência
que teve um efeito definitivo sobre sua dança e coreografia.
Diaghilev o incentivou a tentar criar suas coreografias; ele achou o trabalho, lento e doloroso, e seus resultados
foram, para dizer o mínimo, incomum. Suas danças foram baseadas em movimentos
do ballet clássico, mas continham elementos da dança moderna e ritmos
quebrados, ele também gostava de colocar de vez em quando qualidade
tridimensional em suas produções. Em geral, suas coreografias foram recebidas
com choque e controvérsia em Paris e com séria consideração, em Londres. Em”
L'Après-midi d'un Faune” (1912) deixou o público surpreso (pelos pés descalços
dos bailarinos e do contraste entre a marcação opulenta de Debussy e a coreografia
de Nijinsky, causando um estranho constraste), e escandalizados com a cena
final, a sugestiva cena da masturbação.
No ano seguinte, seu contemporâneo balé “Jeux” foi eclipsado por “Le Sacre du
Printemps”. O público de Paris reagiu veemente a marcação moderna de Stravinsky
e a coreografia estranha de Nijinsky , ele teve de ficar em pé na coxia fazendo
a contagem do ritmo e passos, porque os bailarinos não podiam ouvir a música.
Infelizmente, quase toda a coreografia se perdeu.
Mais tarde im 1913 a maior parte
da Companhia do Ballets Russes partiu
para América do Sul, sem Diaghilev, que tinha um medo supersticioso de morrer
na água. Durante a viagem Nijinsky apaixonou-se por Romda de Pulszky, uma jovem
dançarina húngara. Os dois se casaram em Buenos Aires, em setembro. Quando a companhia
voltou para a Europa, Diaghilev - em um ataque de ciúmes - atirou nos dois.
Após a Primeira Guerra Mundial
(durante o qual ele foi internado), Nijinsky assinou novamente com o Ballets
Russes uma série de turnês americanas em 1916 e 1917. Mas a essa altura ele já
estava mostrando sinais de doença mental, com cada vez mais e mais medo de outros dançarinos,
preocupado com quedas através de alçapões e às vezes recusando-se a dançar. Sua
última performance para Diaghilev foi em 1917, mas viveu em Londres por mais de
30 anos, cuidado por sua sempre dedicada esposa e ainda adorado por muitos fãs.
(Adaptado de Judith Steeh. Hystory of Ballet and Modern Dance.)
A Sagração da Primavera - Nijinsky (1913)
Em tempo: a tradução teve a ajuda de Irmã.
Em tempo: a tradução teve a ajuda de Irmã.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Carlotta Grisi
Esses dias tenho me lembrado da época em que dançava, e me vieram as lembranças das aulas de teoria. Elas eram realizadas em um cômodo apertadíssimo onde só entravam seis pessoas. Em homenagem à essa época, e também satisfazendo o desejo de uma amiga, decidi realizar uma série de postagens sobre personalidades do mundo do ballet. A primeira é sobre Carlotta Grisi, uma das primeiras grandes bailarinas e eterna Giselle.
Carlota Grisi
(1818-1899)
Litografia de artista anônimo. Bailarina Carlota Grisi interpretando Giselle. Paris, 1841.
Os pais de Carlotta Grisi não eram músicos, embora quase
todos os membros de sua família tenham cantado na ópera. Ela também tinha uma
excelente voz, mas a dança foi seu verdadeiro amor a partir do momento em que entrou para a academia do Scala, quando
tinha sete anos de idade.
Até os seus 10 anos
ela interpretava seus próprios papéis, e em 1833, quando tinha 14 anos, seus
pais lhe deram permissão para realizar uma turnê pela Itália. Foi em Nápoles
que ela conheceu Jules Perrot, que atraído não apenas por seu talento, mas
também por sua personalidade, quieta e
gentil, a conduziu ao estrelato. Perrot começou como seu professor - tão
implacável e exigente como Taglione - mas ele logo se tornou seu amante também.
(O casamento deles nunca foi realizado, embora ela tenha aparecido em algumas
ocasiões como Madame Perrot).
Perrot garantiu-lhe espetáculos em Londres, Viena, Munique,
Milão, e finalmente, no Théâtre de la Renaissance, em Paris, onde Grisi dançou
e cantou em “Le Zingaro” de 1840. Um ano mais tarde, em fevereiro de 1841, ela fez sua estréia na ópera, e alguns
meses depois que apareceu em sua produção mais famosa “Giselle”.
Ela e Perrot foram se afastando com o tempo e, quando suas
contribuições em Giselle não foram sequer reconhecidas, ele partiu, deixando Grisi
sozinha em Paris. No entanto, a sua
dança em seu próximo papel principal em “La Péri” (1843), coreografado por
Coralli, trouxe-lhe um admirador devotado: Théophile Gautier. Seis meses mais
tarde, a Opéra estendeu seu contrato por três anos -, quatro vezes seu salário
original.
Durante os próximos anos Grisi apareceu em duas produções
excelentes na ópera, tanto por “Mazilier - Le Diablo à Quatre” (1845) e “Paquita”
(1846). Nesse meio tempo, ela também se tornou favorita no Teatro de Sua
Majestade, em Londres, onde sua relação de trabalho com Perrot rendeu-lhe o
papel-título de “A Esmeralda” (frequentemente citado com “”Giselle como um dos
dois melhores balés românticos). Em 1845, ela dançou com Taglioni, Cerrito e
Lucile Grahn o famoso “Pas de Quatre”. Em 1847, ela dançou como o Fogo em “Os
elementos” e no ano seguinte dançou como o verão em “As quatro estações”. Após
Perrot partir para a Rússia e sei substituído por Paul Taglioni, ela fez o
papel título de “Electra, ou la Pléiade Perdue” (1849). Em 1850, ela fez sua
última apresentação no ocidente, em “As metamorfoses”.
Logo ela se reuniu com Perrot, em São Petersburgo, onde sua
popularidade cresceu lentamente, mas principalmente depois que ele foi nomeado
mestre de balé em 1851. Em 1854, ela partiu para Varsóvia, onde pretendia
continuar a dançar. Mas estava grávida e com o pai da criança, o Príncipe
Radziwell, que a convenceu a se
aposentar quando ela ainda estava no auge de sua fama.
Felizmente instalada na propriedade que ele deu a ela em um
Saint-Jean, perto de Genebra, ela passou seus últimos 46 anos em aposentadoria
tranquila, junto de sua filha Ernestina e mantendo contato com alguns velhos
amigos, como Gautier, sempre devotado. Grisi morreu em 1899, um mês antes de
seu octogésimo aniversário.
(Traduzido de livro de Judith Steeh. History of Ballet and Modern Dance).
Grand Pas de Quatre com Kovaleva, Komleva, Yevteyeva e Galinskaya de 1968.
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