Um blog para todos aqueles interessados em gatos, dança, história e assuntos diversos.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Nova vida, novo amor, novos problemas e quase balsaquiana
Depois de muito pensar, repensar e lembrar dos apelos de meus ex-alunos decidi retomar o blog. Muita coisa aconteceu, muita coisa mesmo. Principalmente depois de ontem com meu ataque de fúria com meus bebelos. que terminou numa choradeira só, meu cabelos cortados aleatoriamente e medo de olhar no espelho. Mas vamos por parte.
Número um: Me mudei. Sim saí de casa para uma simpática casinha de quarto e sala, numa vilazinha no bairro do Riachuelo. Depois de dois meses, Jones veio morar comigo. Ou seja, me apaixonei perdidamente pelo simpático carinha "nordestino" que faz faculdade de química.
Número dois: Estou prestes a me mudar de novo para Duque de Caxias fugindo do aluguel.
Número três: Zoé me abandonou e me trocou pela minha mãe. Snif snif.
Número quatro: Pela primeira vez cortei os cabelos bem curtinho (num salão), mas cresceram.
Número cinco: Me irritei e cortei na faca (vejam como está difícil de aceitar pois falo isso pela segunda vez).
Número seis: Entrei como professora contratada no colégio Pedro II e encontrei os adolescentes mais bacanas que conheci.
Número sete: Saí do Pedro II.
Número oito: Entrei no doutorado.
Sim, muitas coisas aconteceram. E creio que terei de fazer vários posts para comentar sobre elas. Mas hoje vamos nos deter no primeiro quesito. Morar sozinho. Veja, eu nunca morei sozinha. Mamãe sempre esteve ali limpando as coisas e Irmã comprava o pão. Mesmo agora eu não moro sozinha! Jones se instalou na minha casa, uma semana depois que recebi alguns móveis. O que posso dizer é que casar não é fácil. Você pode estar com a pessoa mais fantástica do mundo, mas você vai odiar a quantidade de sabão que ele usa pra lavar a roupa, o jeito que dobra a roupa, e os horários inconvenientes que usa o banheiro.
Jones é o cara mais legal do mundo (e já estamos um bom tempo juntos). Muito calmo e prestativo. Lava, cozinha e passa. É meu empregado doméstico. A vizinha vive dizendo que ganhei na loteria. Mas o que aprendemos quando casamos? Que o pior inimigo somos nós mesmos. Não adianta a pessoa ser perfeita e se tu é um mala do convívio. Eu descobri o pior em mim. Descobri que ao contrário do que minha mãe pensa eu sou maníaca por arrumação, principalmente quando a bagunça é do outro. Descobri que sou viciada em desinfetantes. Limpo em meio a devaneios químicos. Descobri que adoro brigar por mínimos detalhes. Em só comentar sobre os deslizes caseiros do outro. E quando Jones faz alguma maravilha digo "não fez mais que a obrigação". Depois de muito refletir tenho tentado frear esse meu lado dark. Logo eu pessoa tão pacífica e flexível ... Acredito que Jones seja masoquista.
Já falei que Jones faz bolos? Conquistou Papai pela barriga. Feito e tanto! E como sempre minha fama de má cozinheira aumentou. Mamãe não acredita que sobrevivo com almoços. Na verdade, percebi que ela só ficou mais relaxada quando descobriu que Jones cozinha aqui em casa. São bolos, carnes assadas, feijões, frango com batatas, peixes, saladas que estou pensando seriamente em levá-lo ao MasterChef Brasil.
Jones só tem um problema sério. Ele adoro quebrar meus copos. Veja, eu comprei um monte de copos grossos na cor do arco-íris (dica: R$25,99 na Leader Magazine aqui do Rio de janeiro). Os copos são grossos feitos para não quebrarem com facilidade. Quebrou todos. Eu nem vi. Ele fica na surdina esperando que nunca perceba.
Mas voltando ao quesito morar sozinho de aluguel, você descobre que existe dois personagens muito importantes na vida de jovem independente: o proprietário e a vizinha idosa. O primeiro, você irá detestar com todas as forças. Ele é o cara que pega metade do seu salário todo início do mês e demora séculos para consertar qualquer coisa que quebre na residência. Cara de bicheiro e 171 toda vida. O segundo personagem é do tipo ame-o ou deixe-o. Ou você o incorpora a sua filosofia de vida, ou meu amigo, se mude. Note: tenho três vizinhas idosas e todas sabem tudo o que acontece entre a crosta terrestre e a estratosfera da minha vida antes de mim.
Outra coisa fantástica é quando seus novos parentes, os do seu marido no caso, aparecem para visitar. Notem: minha família é muito reservada, falam baixo e só conversam entre eles. A família do Jones não, você os escuta chegando na esquina da rua. Dão palpites inconvenientes, falam alto, soltam risadas e comentários preconceituosos com a sutileza de um peido de rinoceronte numa lagoa calma da savana africana. Todo mundo ouve. A confusão foi tanta quando vieram aqui da última vez que uma das minhas vizinhas idosas pediu arrego e foi dar uma passeada. Me sinto naquele filme "Casamento Grego", a família dele super sem graça e a dela explodindo de felicidade. Detalhe: nossas famílias não se conhecem ainda. Quando acontecer conto em primeira mão com pseudônimos e a frase "baseado em fatos reais". Segurem a pipoca.
Agora chega. Jones acabou de descobrir um aplicativo de celular que só toca músicas do anos 80 e não sabe dar play. Já falei que odeio o celular do Jones?
PS.: Daqui há dez dias faço 30 anos. Esperando para ver qual o presente que o Jones vai me dar. Se ele errar estou pensando em pegar a peixeira da minha mãe. Ela vai ficar orgulhosa de mim.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
150 anos de Ernesto Nazareth*
Hoje se perguntarmos a uma pessoa o que é o tango brasileiro, muito provavelmente a pessoa dirá "não sei". Ou então pergunte quem era Ernesto Nazareth. Poucas pessoas saberão de quem falamos. Numa época em que pagodes, sambas e outras músicas populares invadem as lojas e nossos iphones, deveríamos saber que houve outra época, em que mesclar o erudito com o popular foi inovador. Um feito para grandes mestres da música brasileira, o mais reconhecido deles, Ernesto Nazareth.
Ernesto Nazareth aos 45 anos, 1908.
Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images
Há 150 anos nasceu Ernesto Nazareth. Esse homem que foi, no fim de sua vida, paciente da Colônia Juliano Moreira, é visto como um dos grandes mestres da música popular brasileira. Lugar de destaque que divide com Chiquinha Gonzaga. Nasceu em uma casa na encosta do Morro do Pinto na região do Porto do Rio de Janeiro. Seu pai era um despachante aduaneiro e sua mãe, que morreu quando Ernesto ainda era criança, a responsável por lhe instruir os primeiros ensinamentos musicais. Aos 14 anos compôs sua primeira música, a polca-lundu “Você bem sabe”, uma resposta ao pai, para afirmar sua vocação musical. Ernesto Nazareth compôs mais de 200 obras, a mais famosa “Odeon”, e a maior parte delas tangos brasileiros, que faziam parte dos Chorões, uma união de ritmos que animava as festas (forrobodós) cariocas. Ligado às músicas eruditas, Nazareth trazia em suas composições elementos populares e africanos. Passou a vida, gravando músicas, se apresentando nas casas de música, como pianista demonstrador e no salão de espera do Cinema Odeon. Foi reconhecido internacionalmente, o que não lhe privou de uma vida modesta, apesar de suas músicas terem dado lucro para seus editores. Foi casado e pais de quatro filhos. Foi compositor, instrumentista, pianista e professor de música.
Anúncios de discos da gravadora Odeon,
1930, incluindo o 78-RPM gravado pelo próprio Nazareth contendo as peças
Apanhei-te, cavaquinho e Escovado. Coleção Luiz Antonio de Almeida. Fonte: http://www.ernestonazareth150anos.com.br/Images
No decorrer de sua vida perdeu a audição e foi diagnosticado com sífilis, sendo internado na Colônia Juliano Moreira em 1933. Na Colônia, tocava piano na casa do administrador. Em 1934, depois da visita da sua filha, Ernesto Nazareth fugiu da instituição. Seu corpo foi achado três dias depois, na cachoeira da Colônia, em estado de decomposição. Era um domingo triste de carnaval. O Rio de Janeiro havia perdido um grande compositor para a morte e a loucura.
Reportagem
anunciando a morte de Ernesto Nazareth, Correio da Manhã, terça-feira, 6 de
fevereiro de 1934. Fonte: http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx
*Reportagem publicada no Jornal Abaixo-Assinado Jacarepaguá de julho de 2013.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Vaslav Nijinsky (1890-1950)
Fotografia assinada por Vaslav Nijinsky em Le Spectre de la Rose, fotografia de Bert, 1912, V&A Theatre & Performance Collections, Valentine Gross Archive.
Vaslav Nijinsky, um dos maiores
bailarinos do século XX, já era bem conhecido em São Petersburgo, quando Diaghilev contratou-o para
dançar com Ballets Russes em 1909.
Nijinsky não era uma figura
cativante no primeiro encontro: ele era baixo, atarracado e fora do palco,era um
pouco tímido e quieto. Na frente de um público, no entanto, ele tinha grande
presença e expressividade. Sua técnica clássica era excelente - especialmente
sua elevação e ballon - enquanto
suas caracterizações dos
personagens era igualmente notável. Seu
gosto por papéis incomuns deu à sua reputação aspectos quase místicos. Logo,
sua fama era tão grande como a de Taglioni , principalmente depois das
performances nos ballets de Fokine “Les Sylphides” e “Spectre de la Rose”( neste,
seu salto através de uma janela se tornou um dos mais famosos na história
ballet). Ele dançou com a maioria das bailarinas famosas de sua época,
incluindo Pavlova, mas suas performances mais famosas foram criadas em parceria
com Karsavina. Ele também dançou com Isadora Duncan em Paris – uma experiência
que teve um efeito definitivo sobre sua dança e coreografia.
Diaghilev o incentivou a tentar criar suas coreografias; ele achou o trabalho, lento e doloroso, e seus resultados
foram, para dizer o mínimo, incomum. Suas danças foram baseadas em movimentos
do ballet clássico, mas continham elementos da dança moderna e ritmos
quebrados, ele também gostava de colocar de vez em quando qualidade
tridimensional em suas produções. Em geral, suas coreografias foram recebidas
com choque e controvérsia em Paris e com séria consideração, em Londres. Em”
L'Après-midi d'un Faune” (1912) deixou o público surpreso (pelos pés descalços
dos bailarinos e do contraste entre a marcação opulenta de Debussy e a coreografia
de Nijinsky, causando um estranho constraste), e escandalizados com a cena
final, a sugestiva cena da masturbação.
No ano seguinte, seu contemporâneo balé “Jeux” foi eclipsado por “Le Sacre du
Printemps”. O público de Paris reagiu veemente a marcação moderna de Stravinsky
e a coreografia estranha de Nijinsky , ele teve de ficar em pé na coxia fazendo
a contagem do ritmo e passos, porque os bailarinos não podiam ouvir a música.
Infelizmente, quase toda a coreografia se perdeu.
Mais tarde im 1913 a maior parte
da Companhia do Ballets Russes partiu
para América do Sul, sem Diaghilev, que tinha um medo supersticioso de morrer
na água. Durante a viagem Nijinsky apaixonou-se por Romda de Pulszky, uma jovem
dançarina húngara. Os dois se casaram em Buenos Aires, em setembro. Quando a companhia
voltou para a Europa, Diaghilev - em um ataque de ciúmes - atirou nos dois.
Após a Primeira Guerra Mundial
(durante o qual ele foi internado), Nijinsky assinou novamente com o Ballets
Russes uma série de turnês americanas em 1916 e 1917. Mas a essa altura ele já
estava mostrando sinais de doença mental, com cada vez mais e mais medo de outros dançarinos,
preocupado com quedas através de alçapões e às vezes recusando-se a dançar. Sua
última performance para Diaghilev foi em 1917, mas viveu em Londres por mais de
30 anos, cuidado por sua sempre dedicada esposa e ainda adorado por muitos fãs.
(Adaptado de Judith Steeh. Hystory of Ballet and Modern Dance.)
A Sagração da Primavera - Nijinsky (1913)
Em tempo: a tradução teve a ajuda de Irmã.
Em tempo: a tradução teve a ajuda de Irmã.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Carlotta Grisi
Esses dias tenho me lembrado da época em que dançava, e me vieram as lembranças das aulas de teoria. Elas eram realizadas em um cômodo apertadíssimo onde só entravam seis pessoas. Em homenagem à essa época, e também satisfazendo o desejo de uma amiga, decidi realizar uma série de postagens sobre personalidades do mundo do ballet. A primeira é sobre Carlotta Grisi, uma das primeiras grandes bailarinas e eterna Giselle.
Carlota Grisi
(1818-1899)
Litografia de artista anônimo. Bailarina Carlota Grisi interpretando Giselle. Paris, 1841.
Os pais de Carlotta Grisi não eram músicos, embora quase
todos os membros de sua família tenham cantado na ópera. Ela também tinha uma
excelente voz, mas a dança foi seu verdadeiro amor a partir do momento em que entrou para a academia do Scala, quando
tinha sete anos de idade.
Até os seus 10 anos
ela interpretava seus próprios papéis, e em 1833, quando tinha 14 anos, seus
pais lhe deram permissão para realizar uma turnê pela Itália. Foi em Nápoles
que ela conheceu Jules Perrot, que atraído não apenas por seu talento, mas
também por sua personalidade, quieta e
gentil, a conduziu ao estrelato. Perrot começou como seu professor - tão
implacável e exigente como Taglione - mas ele logo se tornou seu amante também.
(O casamento deles nunca foi realizado, embora ela tenha aparecido em algumas
ocasiões como Madame Perrot).
Perrot garantiu-lhe espetáculos em Londres, Viena, Munique,
Milão, e finalmente, no Théâtre de la Renaissance, em Paris, onde Grisi dançou
e cantou em “Le Zingaro” de 1840. Um ano mais tarde, em fevereiro de 1841, ela fez sua estréia na ópera, e alguns
meses depois que apareceu em sua produção mais famosa “Giselle”.
Ela e Perrot foram se afastando com o tempo e, quando suas
contribuições em Giselle não foram sequer reconhecidas, ele partiu, deixando Grisi
sozinha em Paris. No entanto, a sua
dança em seu próximo papel principal em “La Péri” (1843), coreografado por
Coralli, trouxe-lhe um admirador devotado: Théophile Gautier. Seis meses mais
tarde, a Opéra estendeu seu contrato por três anos -, quatro vezes seu salário
original.
Durante os próximos anos Grisi apareceu em duas produções
excelentes na ópera, tanto por “Mazilier - Le Diablo à Quatre” (1845) e “Paquita”
(1846). Nesse meio tempo, ela também se tornou favorita no Teatro de Sua
Majestade, em Londres, onde sua relação de trabalho com Perrot rendeu-lhe o
papel-título de “A Esmeralda” (frequentemente citado com “”Giselle como um dos
dois melhores balés românticos). Em 1845, ela dançou com Taglioni, Cerrito e
Lucile Grahn o famoso “Pas de Quatre”. Em 1847, ela dançou como o Fogo em “Os
elementos” e no ano seguinte dançou como o verão em “As quatro estações”. Após
Perrot partir para a Rússia e sei substituído por Paul Taglioni, ela fez o
papel título de “Electra, ou la Pléiade Perdue” (1849). Em 1850, ela fez sua
última apresentação no ocidente, em “As metamorfoses”.
Logo ela se reuniu com Perrot, em São Petersburgo, onde sua
popularidade cresceu lentamente, mas principalmente depois que ele foi nomeado
mestre de balé em 1851. Em 1854, ela partiu para Varsóvia, onde pretendia
continuar a dançar. Mas estava grávida e com o pai da criança, o Príncipe
Radziwell, que a convenceu a se
aposentar quando ela ainda estava no auge de sua fama.
Felizmente instalada na propriedade que ele deu a ela em um
Saint-Jean, perto de Genebra, ela passou seus últimos 46 anos em aposentadoria
tranquila, junto de sua filha Ernestina e mantendo contato com alguns velhos
amigos, como Gautier, sempre devotado. Grisi morreu em 1899, um mês antes de
seu octogésimo aniversário.
(Traduzido de livro de Judith Steeh. History of Ballet and Modern Dance).
Grand Pas de Quatre com Kovaleva, Komleva, Yevteyeva e Galinskaya de 1968.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Histeria: o filme
Recentemente, Namorido e eu decidimos sair da rotina trabalho - casa e decidimos ir ver algum filme decente em cartaz. Para minha surpresa Namorido escolheu um filme muito diferente dos seus padrões de qualidade: inglês, comédia, romance e com um tema muito próximo da minha área de pesquisa, a história da psiquiatria.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Depoimento de uma não amante de carnaval.
Carnaval, nem me avisem quando acabar!
Confesso!
Nunca gostei de carnaval. Quando não estou viajando, prefiro ficar ilhada na minha casa. Cinco dias tentando ignorar a tota Nem mesmo neste ano, fiquei na cidade do Rio durante
a folia. Decidi passar esses cinco dias em Marica
A
casa de Marica! É com essas saudosas e nostálgicas palavras (plagiadas da minissérie
Maysa) a que me refiro à minha doce e muito pequena habitação localizada em
frente a uma linda lagoa e longe de blocos, praia, agitação, mas com um
mercadinho ali do lado.
Ainda
que não possua o gosto pela folia nas minhas entranhas (isto meu amigo vem de
berço e é genético), simpatizo com a festa de Momo... Eu aqui e ele lá, é
claro, mas ainda sim gosto de abrir o jornal e saber qual escola de samba se destacou;
qual ganhou na quarta; ver as fotos dos blocos; escutar os gritos dos foliões e
torcedores durante a apuração dos votos. Tentei ainda me deixar levar pela onda
contagiante, não ser apenas uma espectadora, mas também atriz no meio de tanto
atores...
Não
deu certo... prefiro ver o espetáculo.
Então
na simpática quinta depois da folia, abro o jornal atrás de fotos, fantasias,
opiniões, reportagens sobre a campeã e o balanço geral da festa. Mas uma
sensação, até então não manifesta, me tocou profundamente. Decepção, não, mas
estranhamento. Estranhamento de que novos tempos chegaram, que a educação da
mamãe foi pro “beleléu” e que este não é a mais a festa da carne, mas da
bebedeira. Essa é a sensação que eu e todos os espectadores devemos estar
compartilhando. Os comentários animados sobre
os blocos? E a reduzida seção sobre política e economia? Ao contrário, esta se
multiplicou, e eu não se pelo medo e importância da crise ou por que o Carnaval
deixou de ser que era.
Eu
me pergunto (e, por favor, querido leitor se puder me responda), porque as
prefeituras se matam para conseguir banheiros químicos e os bonacheirões
foliões defecam do lado do simpático sanitário? Por que o saudável camarada
decide pagar uma nota pela aparelhagem de som e coloca-lo em frente à um
hospital? E porque leitor me diga, porque saindo do eixo zona sul - centro, ao invés de tocar as marchinhas que
nos encantam e animam, a programação musical é basicamente funk e música
baiana. Estamos na Bahia?!
Podem
me chamar de estúpida, antiquada e obtusa, mas carnaval depois da proibição do
entrudo e do lança-perfume era composto de serpentina, fantasia, romances e
marchinhas...
A
máxima em outros tempos era “pare mundo, pois hoje é carnaval”. Ou essa máxima
se perdeu e se esqueceram de me avisar ou ela esta sendo literalmente aplicada.
Engarrafamentos e trânsito confuso em pleno carnaval? ! É só olhar para a zona
sul. Pista de gelo no centro da cidade?! Não, é a Presidente Vargas sendo limpa
pelos garis com desinfetante contra urina acumulada. Carro da polícia depredado? Ah! É o bloco do Bola Preta passando. E a praça Odylo Costa em Santa Teresa ? Cenário
de filme de guerra.
Carnaval
sempre teve prejuízos, algumas coisas quebradas e até confusão, afinal nada
neste mundo é perfeito, porém este último, especialmente, superou todas as expectativas. A Vila foi campeã e as notícias mais comentadas eram o quão perigosos se tornaram os quase 400 blocos de rua do Rio e a monstruosidade que ficou Gracyanne Barbosa na avenida - fato que levou o fantástico a fazer a matéria "a evolução dos corpos das rainhas de bateria" - falta do que dizer no carnaval, só pode.
Cadê
o Momo, a tranquilidade da festa e a serpentina?
Podem
me chamar de antiquada e dizer que evoco o carnaval utópico, mas
enganados estão, pois o que evoco não são as marchinhas (a única que sei é bandeira
branca), mas sim a folia em si. O
balanço desta semana: carnaval é hora do “beber, cair e levantar”, mijar do
lado do banheiro químico intocado, improvisar concentração de bloco na
porta de hospital e depredar patrimônio público ...
Desculpem-me
os adoradores da folia do século XXI, mas estes exemplos não são únicos e
excepcionais, ao contrário são exemplos do generalizado. Neste novo século, carnaval
sem ressaca, não é carnaval. O intuito não é a diversão.Temos, portanto, uma mudança de
dinastia, despoja-se a diversão e coroa-se a bebedeira.
Apesar
dos inúmeros telefonemas de desesperados ilhados em casa pedindo asilo político
durante os festejos de Momo (já que blocos impediam o trânsito de pedestres e
carros) e também das visitas surpresas com o mesmo fim (precedidas por
churrascos improvisados, horas de conversa fiada, até o tímido pedido do
visitante que era, infelizmente, recusado devido ao tamanho da minha casinha),
o mais desagradável, não foi ver homens vestidos de piranha enquanto seres de outro
planeta (ou do terceiro sexo - o que preferir) de fio dental e documentos amostra alisavam-se, mas sim dois estrangeiros
(crentes que ninguém entendia inglês) afirmar que carnaval era feito de mulher nua e sujeira, e é claro preferiam a primeira. Desculpem-me as mulheres, mas tive
que concordar com os gringos. Dos dois é o mal menor.
Declaração de uma
espectadora carnavalesca carioca sobre os festejos de Momo do século XXI.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
As maquetes sobre as civilizações fluviais - 6º ano.
Como tarefa de férias do meio do ano de 2012 solicitei aos meus alunos do 6º ano que fizessem maquetes sobre as civilizações até então estudadas: Egito e Núbia, Mesopotâmia, China e Índia. Mas não queria reproduzir apenas grandes monumentos e patrimônios daquelas civilizações. Queria algo mais complexo que trouxesse para a sala de aula representações sobre o estilo de vida daquelas sociedades.
Havíamos visto que todas essas civilizações tinham em comum o fato de terem se desenvolvido às margens de grandes rios e desenvolvido a agricultura. Procurei então que os alunos fizessem uma série de maquetes mostrando a evolução dessas sociedades, contando um pouco de sua história.
Primeiro expliquei a tarefa fazendo comparação com o jogo Age of Empires e todos os joguinhos de casinhas do facebook. Você sempre começa com uma casinha ou um cômodo e de lá vai desenvolvendo sua cidade, casa, aldeia. Para essas civilizações ocorreu algo parecido.
Depois escolhemos os grupos e as civilizações que cada grupo iria estudar. A maquete seria livre: poderia mostrar monumentos daquela civilização ( aqueles que tivessem sido construídos durante a Idade Antiga), cidades, eventos, etc. , como obrigatoriedade eles deveriam mostrar a relação da civilização com o seu rio.
No fim ficou:
- Grupo de 4 alunos: Rio Nilo e Egito e Núbia.
- Grupo de 3 alunos: Rios Tigre e Eufrates e Mesopotâmia.
- Grupo de 4 alunos: Rios Hoang- Ho e Yang-Tsé e China.
- Grupo de 4 alunos: Rio Indo e Índia.
Ao longo de um mês, os alunos trabalharam nas sua maquetes. Tiraram dúvidas com o professor e pesquisaram na internet e no livro escolar. No dia da entrega, as maquetes foram entregues com a apresentação do grupo. Eles explicaram cada elemento. O resultdao me surpreendeu, os alunos realizaram uma boa pesquisa e trouxeram maquetes bem elaboradas. No Egito Antigo e a Núbia, eles recriaram o vale dos reis com as três pirâmides de Gizé e o Rio Nilo e a zona de agricultura nas suas margens. Eles explicaram o sistema de cheias e quais os cultivos realizados. Fizeram também uma réplica da cidade proibida e platações de arroz. Por último, a Índia, os alunos mostraram como ocorreu o deslocamento da população do Rio Indo para o Rio Gangês. Fizeram o Rio Gangês e todos os cerimoniais realizados em suas margens.
Considero o resultado final satisfatório. Os alunos compreenderam a importância dos rios para o desenvolvimento das antigas civilizações e após as exposições debatemos se o mesmo ocorrer no Brasil. Falamos das hiroelétricas e do rio que passa atrás da escola, responsável pelo escoamento e fornecimento de água na região. A atividade foi importante para enfatizar a diferença entre essas civilizações e as demais que estaduríamos, todas relacionadas ao comércio e a pesca, e náo mais à agricultura.
Infelizmente náo tenho fotos, pois no recreio a turma vizinha ao brincar com as maquetes, quebraram todas, o que acarretou em choro, briga, advertências e estresse.
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